Insert Kopeyki: os vídeojogos no universo comunista
por José Almeida
Não, não é uma consola portátil. É um livro. Um livro sobre os videojogos no universo comunista e o tema que estão a escutar é uma orquestração da música do “Tetris”. Um dos jogos mais famosos alguma vez criados na esfera soviética.
Aqueles que como eu cresceram nos anos 1980, mantêm certamente viva a memória de uma cultura popular que, sem o sabermos naquela altura, reflectia a propaganda da chamada “Guerra Fria”. Dentro dessa cultura popular inseriram-se os jogos de computador, videojogos arcade, entre outros que procuravam desafiar de uma forma lúdica a última fronteira da criatividade e da sociedade de consumo.
Este pequeno ensaio de Stelio Fergola, intitulado Insert Kopeyki: I videogiochi nell’universo comunista, procura dar a conhecer um lado menos conhecido dessa realidade, viajando por um mundo soviético em acelerado declínio e confrontado com um vasto conjunto de reformas que acabariam por destruir aquele regime. Menos dados a temáticas de ficção e fantasia, os videojogos produzidos nos países comunistas eram, por norma, de jogabilidade mais difícil e complexa, procurando, frequentemente, estimular os reflexos motores e a actividade cognitiva.
Longe ser uma actividade lucrativa, como no Ocidente, a programação destes jogos era levada bastante a sério, não só pelos programadores como pelo próprio regime que via nesse fenómeno uma forma de cativar a simpatia dos mais jovens através de uma ilusão de conforto e escolha.
A leitura de “Insert Kopeyki” prendeu-me. Primeiro, pelo poder e encanto do sentimento de nostalgia provocado pela infância e a juventude. Depois, pelo incrível universo a que esta temática nos introduz, levando-nos a pensar em algo tão curioso como o peso metapolítico e geopolítico dos videojogos. Estou certo de que valeria muito a pena ver este livro traduzido e publicado em língua portuguesa.
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A edição original, em italiano, pode ser adquirida junto do editor Passaggio al Bosco
