Skip to content Skip to sidebar Skip to footer

A obra pouco conhecida de Guillaume Faye, o incontornável denunciante do sistema de extermínio dos povos

A obra pouco conhecida de Guillaume Faye, o incontornável denunciante do sistema de extermínio dos povos

«Combatemos pelo património dos nossos antepassados e pelo futuro dos nossos filhos.»

por Audrey D’Aguanno in Breizh Info 

Este sulfuroso, vulcânico e flamejante teórico da «Nova Direita» marcou várias gerações de militantes e mudou a visão do mundo de muitos dos nossos contemporâneos. Infelizmente, talvez não o suficiente, pois uma abundante obra de juventude permanece ainda largamente desconhecida.

O objectivo destas poucas linhas não é, pois, tanto evocar o homem — de cores vivas! — mas convidar novos leitores a descobrirem os seus trabalhos, quão elucidativos: se aborda os temas mais importantes, nos seus escritos não há jargão de intelectual, não há blá-blá-blá de pseudo-sabedores, não há frases incompreensíveis onde se custa a destrinçar o sujeito dos trinta complementos directos; a sua leitura é acessível a todos.

Pois Faye, embora titular de um doutoramento em ciências políticas e solidamente formado na cultura clássica, estava a anos-luz desses aborrecidos ratos de biblioteca que ele troçava com acidez (e estes lho retribuíam bem!). Homem de mil facetas, plurais como o seu pensamento, notável em tudo o que empreendia, foi sucessivamente ensaísta, orador (excepcional!), jornalista que tratava de assuntos complicados como das piores futilidades, autor de novelas eróticas e de banda desenhada, animador de rádio (o cáustico Skyman que fazia as delícias da crónica na Skyrock era ele), organizador de partidas, excessivo e homem de mil ofícios; atribuem-lhe mesmo uma passagem pela indústria pornográfica. (Mas, por falta de provas, trata-se provavelmente de mais uma das suas partidas.) Movido por uma curiosidade insaciável, frequentava os meios mais diversos, sempre em busca de debate, de troca de ideias, gostando de se confrontar com todas as realidades possíveis para extrair delas a matéria das suas análises.

Realidade… eis uma palavra-chave! Ela está na base de todas as suas reflexões. Fiel aristotélico, repetia que «é preciso partir do real para mudar as nossas ideias e não procurar mudar o real com as nossas fantasias.»

Psicorrígidos abstinham-se

Pressagiando que uma convergência de catástrofes levará ao fim do mundo ocidental tal como o conhecemos, Guillaume Faye teoriza o Arqueofuturismo, uma mistura de tecno-ciência e de regresso aos valores ancestrais. O Arqueofuturismo pretende ser o espírito da pós-catástrofe, a filosofia que deverá sustentar o mundo de amanhã. Propõe, entre outras coisas, a autarcia dos grandes espaços e toca o dobre de finados ao igualitarismo rapidamente alcançado pela realidade.

«Não se deve ser passadista, nem restaurador, nem reaccionário, pois o passado dos últimos séculos gerou a sífilis que nos rói. Trata-se de voltar a ser arcaico e ancestral ao mesmo tempo que se imagina um futuro que não seja o prolongamento do presente. Contra o modernismo, o futurismo. Contra o passadismo, o arcaísmo.»

Ler Faye é, portanto, acabar com a reacção incapacitante, com a nostalgia estéril. Ler Faye é compreender, possuir as chaves, mas com o objectivo da acção.

Em La colonisation de l’Europe, discurso verdadeiro sobre a imigração e o Islão, publicado no ano 2000, ele retoma vários dos seus artigos dos anos 80 sobre a sociedade multirracial. A sua clarividência sobre os perigos da imigração em massa, que ele era então o único a abordar desprovido de qualquer politicamente correcto, permanece inigualada. Não revela apenas os mecanismos da «colonização massiva de povoamento por parte de povos africanos, magrebinos e asiáticos», mas retoma também o «etnomasoquismo» e a «Sida mental» que afligem os povos europeus: o colapso das suas defesas imunológicas, consequência da lavagem cerebral igualitarista a que são submetidos há décadas. Um constatar implacável e severo, cujos resultados vemos hoje.

Citar-se-ão também, da mesma época, Avant-guerre: Chronique d’un cataclysme annoncé; Le coup d’État mondial; Sexe et dévoiement, um texto decantante onde aborda a família, a sexualidade, o amor, o feminismo etc. do ponto de vista arqueofuturista (a ler absolutamente!); Comprendre l’Islam, uma análise sem filtro nem tabu sobre a religião (mais uma vez) que assalta o velho continente; La nouvelle question juive, um ensaio largamente incompreendido (quando foi lido) e até objecto de entrevistas falsas que ele desmentiu; La guerre raciale… uma obra provocante que visa suscitar o debate, mas extremamente argumentada: não concordaremos com tudo, mas muitas vezes será difícil provar que ele está errado.

Um pensador incontornável para compreender o Ocidente contemporâneo

A primeira fase da sua produção metapolítica, por volta dos anos 1975-1987 (nomeadamente quando animava o polo «estudos e investigações» do GRECE), foi uma fase florescente da sua obra. Numerosos textos conservaram toda a sua pertinência e merecem amplamente ser redescobertos, tanto mais no momento histórico que atravessamos: a absurdidade de uma sociedade onde «Caminha-se sobre a cabeça» se torna cada vez mais manifesta aos nossos concidadãos, e os tractores que afluem a Bruxelas são o sinal de que compreenderam que as decisões já não são elaboradas nas capitais, mas no seio de gabinetes apátridas desligados do real. E é aí que a primeira obra de Guillaume Faye ganharia em ser difundida.

Em 1981, numa fórmula genial, qualifica o poder de «Sistema de extermínio dos povos». Neste ensaio absolutamente visionário, torna límpido o funcionamento do sistema tecno-económico ocidental que pretende transformar o mundo numa sociedade planetária anónima e uniformizada. Mas abaixo o conspiracionismo ou as reduções marxistas: este sistema funciona como um mecanismo, sem maestro. O Sistema não precisa das formas usuais de dominação política; sendo económico e técnico, auto-regula-se.

«Uma civilização, mesmo mundial, funda-se sempre num passado cultural e visa, mais ou menos, a perpetuar-se no futuro. Uma civilização permanece humana. Um sistema, pelo contrário, tem algo de mecânico e de intemporal.»

«O Sistema, como cada uma das suas engrenagens, funciona sem outra finalidade que o seu próprio funcionamento. (…) O sistema ocidental faz viver os povos — ou mais exactamente fá-los morrer — ao ritmo das suas auto-regulações a curto prazo. Inútil, evidentemente, perguntarmo-nos onde foi parar a noção de destino. Nem sequer é contestada: simplesmente não existe.»

Às decisões dos Estados — específicas e outrora adoptadas para a comunidade — substituem-se escolhas estratégicas tomadas no quadro de redes (grandes empresas privadas, organismos bancários, especuladores, gabinetes supranacionais). Já não são precisos chefes de Estado, bastarão reguladores. À medida que cresce a despolitização da sociedade, intensifica-se a espectacularização da política. Compreende-se facilmente a actualidade de tal descrição.

Na sua «Crítica do sistema ocidental», estabelece a distinção entre Ocidente e Europa num momento em que a direita se definia inteiramente como ocidentalista por oposição ao comunismo. Um texto composto há 44 anos que não envelheceu e serviu de inspiração a muitos outros:

«A civilização ocidental não é a civilização europeia. É o fruto monstruoso da cultura europeia, à qual tomou o dinamismo e o espírito de empresa, mas à qual se opõe fundamentalmente, e das ideologias igualitárias saídas do monoteísmo judaico-cristão. Realiza-se na América que, no dia seguinte à Segunda Guerra Mundial, lhe deu o impulso decisivo. A componente monoteísta da civilização ocidental é, aliás, claramente reconhecível no seu projecto, idêntico em substância ao da sociedade soviética: impor uma civilização universal fundada na dominação da economia como modo-de-vida e despolitizar os povos em proveito de uma “gestão” mundial.»

A Nova Sociedade de Consumo, Contra o Economismo, O Ocidente como Declínio, O Sentido da História, Os Heróis Estão Fatigados, Para Acabar com o Niilismo, Os Titãs e os Deuses, A Sociedade do Não-Trabalho, O que é a Realpolitik, todos os artigos sobre a técnica e o espírito faustiano… várias dezenas de textos e de entrevistas brilhantes, directas, claras e intemporais, que seria absolutamente necessário reler. Tal como o seu Porque lutamos [1], publicado em 2001 mas que é, na realidade, um aumento do Pequeno Léxico do Partidário Europeu que redigira nos anos 80. Este Manifesto da resistência europeia, concebido como um dicionário de 177 palavras-chave, responde de forma límpida:

«Combatemos pelo património dos nossos antepassados e pelo futuro dos nossos filhos.»

Impotentes na cena internacional, sem vontade de se perpetuarem, os povos da Europa saíram da história. Colonizados culturalmente, deixam-se invadir. À beira desta convergência de catástrofes — caos migratório, ruína económica e financeira, colapso demográfico, vazio político, multiplicação de conflitos armados em solo europeu… — ter ideias claras sobre as razões de um justo combate identitário, compreender o mundo que nos rodeia e as ideologias que o sustentam, formar o próprio pensamento, saber apresentar argumentos válidos, é mais do que nunca uma necessidade. Ler ou reler Guillaume Faye faz parte disso.

[1] Tradução portuguesa realizada por João Martins e publicada pela Contra-Corrente em 2025. (N.E.)

Obras de Guillaume Faye em inglês e francês.