por Filipe F. Marques
Em Fevereiro de 2026, Luís Montenegro fez uma escolha que parecia ter sido retirada directamente dos ensinamentos de Maquiavel. A jogada, aparentemente genial e vista como o golpe de misericórdia do PS — que fazia trocar de equipa o “chefão” da Polícia Judiciária, seduzido pela oportunidade de obter mais poder — não seria, todavia, a decisão mais acertada do “príncipe” do PSD(ois). Na realidade, ao apontar Luís Neves para ministro da Administração Interna, Montenegro abria, por um lado, a caixa de Pandora de processos judiciais do Partido Socialista, cujas más-línguas diziam estar fechada à chave por alguém que, em teoria, devia a sua fidelidade a esse mesmo partido, o qual, alegadamente — e repita-se… isto são as más-línguas a falar — Neves protegia, do alto do seu cargo de “intendente-mor” da III República. Assim o PS, perdendo o controlo sobre o seu “homem de mão”, ficava encostado às cordas pelo efectivo em funções, não podendo tecer um único comentário negativo acerca do novo MAI, sob pena de ver expostos os “rabos-de-palha” dos membros do PS alegadamente presentes nos arquivos daquele que é por certo um dos homens mais bem informados deste país, ou se quisermos, o dono da maior colecção de podres da classe política portuguesa que se estendem da corrupção à pedofilia. Por outro lado, o astuto Montenegro abria simultaneamente a porta a um sem-número de escândalos inesperados protagonizados pelo seu recém-adotado delfim, uma vez que o teoricamente impoluto / ex-boy do PS tornado vira-casacas, se veria, passados apenas cinco meses do início do seu mandato, à beira do fim de uma efémera carreira política que tanto inflara o seu ego, há tão pouco tempo, enchendo-lhe o peito vaidoso e fazendo-o arquear a aparentemente tíbia espinha-dorsal, que é de momento açoitada por todos os lados, ferozmente, à jornalada.
Há meses pensámos estar a viver o momento em que o travão das verdades incomodas escapava das mãos dos socialistas e em que os escândalos tantas vezes encobertos (durante o consulado de Neves na PJ) ou cobertos por outros que rebentavam “coincidentemente” sempre ao mesmo tempo, viriam finalmente à tona. A rosa tremeu com a ausência do seu fiel jardineiro. Com a saída de Neves da PJ para o governo, e do bolso do PS para o do PSD, acabava-se a possibilidade de realizar a habitual estratégia socialista de esconder um escândalo com outro como haviam feito tantas vezes, sendo um exemplo recente a utilização dos processos tornados em casos super-sensacionalistas e ultra-mediáticos que envolveram os grupos nacionalistas e as claques de futebol nos últimos anos (como o famoso caso do ataque à academia do Sporting que tanto jeito deu ao efectivo de Costa para camuflar os escândalos do seu partido vindos a público na mesma semana) casos que bem espremidos resultaram num pequeno número de condenações efectivas por agressão, mas que com a assinatura do mesmo ex-diretor nacional da PJ (que afirma que “o sentimento de insegurança é gerado pela desinformação e não pelos números” quando o assunto é o PCC, ou os crimes realizados por membros da comunidade cigana ou das demais comunidades imigrantes) que com a preciosa ajuda dos seus lacaios na comunicação social foram, à data, elevados ao grau de terrorismo e comparados pelas TVs e jornais a uma espécie de ETA (tipo de organização que nunca existiu em Portugal nem ao tempo da atividade terrorista das FP-25) de forma a que o Zé Povinho, inebriado pela “caixa mágica” tomasse mais atenção a outras notícias que não as ilegalidades cometidas pelo “gangue” actualmente a cargo de José Luís Carneiro. Assim, perante uma nova conjuntura em que um dos maiores aliados do PS nas forças de segurança havia sido contratado pelo bando rival o que obrigava a oposição do costume ao silêncio, Montenegro e o seu novo aliado podiam descansar, estava finalmente preparado o cenário para uma governação tranquila ou, caso contrário, seria rapidamente montado o palco mediático para que se pudesse dar início ao tão esperado “roast” do Rato. Porém, o historicamente não menos corrupto PSD(ois), acabava de colocar (sem saber) o poder nas mãos de um ministro que se viria a revelar uma figura totalmente amoral na boca da imprensa e que desde o dia um se tornaria no maior acumulador de escândalos em tempo record de que há memória nos últimos anos. Descrito pelos jornalistas como uma espécie de CR7 da trafulhice, Luís Neves, em menos de meio ano seria rasgado um sem-número de vezes pelos mesmos media que se haviam alimentado durante tanto tempo das informações dos processos em segredo de justiça que, segundo os seus detractores, passava alegada e amavelmente por baixo da mesa a jornalistas-activistas como Valentina Marcelino feita sua assessora ministerial logo que assumiu funções e que, alegadamenre, obteve o cargo como prémio de casamento após uma longa história de amor e promiscuidade institucional entre o director nacional da Polícia Judiciária e ex-directora adjunta do Diário de Notícias.
Assim, este homem que, face às acusações que lhe são feitas, aparenta ser, aos olhos de todos, nada mais nada menos que um alegado corrupto sedento de poder, cai do topo da pirâmide que tudo vê onde estava possivelmente convencido de ser aquilo a que na gíria criminal se definiria como “o maioral” , dado que, perante a sua alegada actividade lesiva do Estado, que ao ser provada revela a total ausência de escrúpulos, integridade e da moral e decência que se impõem a um governante, torna-se cada vez mais difícil ao visado erguer a cabeça no meio do fogo cruzado.
As acusações atingem-no como balas, escritas e descritas em toda a parte e o rol de denúncias estende-se desde os alegados favores aos amigos (como é exemplo o lugar oferecido a Valentina Marcelino referido acima), às contas da empresa da mulher do ministro que evaporou prejuízos com uma dita manobra de “contabilidade criativa”, à polémica envolvendo o empreiteiro contratado pela PJ e as obras feitas, pelo mesmo, na casa de férias do “amigo” Neves, bem como o atrelado apreendido pela PJ que seria posteriormente encontrado na posse do mesmo senhor construtor ainda com os químicos destinados ao fabrico de droga no seu interior e que sem que ninguém consiga ainda explicar o porquê, foram abertos e mexidos pelo tal “homem das obras”, que se diz por aí na praça: Poderá muito bem ter dotes de marceneiro, dado que, com a madeira que era utilizada para a construção dos carris da CP e que a empresa de caminhos de ferro do Estado havia cedido à PJ, foram feitos os bancos que magicamente surgiram, imagine-se, na já polémica casa de férias do certamente seríssimo Neves. Tudo invejas…muito provavelmente…falsos testemunhos! Maldita liberdade de imprensa!
O que é certo é que, sendo tudo o que se diz verdade ou não, não parecem existir quaisquer condições para que alguém que em tão pouco tempo se viu envolvido em tanto escândalo continue a ocupar o cargo que ocupa, não restando senão ao Sr. Ministro a hipótese de DEMISSÃO IMEDIATA!
É caso para dizer: “Quem com ferros mata, com ferros morre”. Esperemos então que a justiça se faça cumprir, para que não vejamos (caso se prove o que se diz) este ex-polícia ingressar (caindo para cima) num congénere europeu da PJ como por exemplo a Europol.
