por João Pereira dos Santos
Sobre o pedido de Garcia Pereira e as declarações de Benedita Urbano, posições partilhadas por organizações de extrema esquerda, é preciso perceber do que estamos a falar.
Pedido de ilegalização é um eufemismo que designa um pedido para que sejam usadas as armas de fogo do Estado para conter o Chega. É indiscutivelmente um requerimento a pedir um ato de guerra armada que não tem qualquer cabimento em democracia, e que conduziria para a clandestinidade um movimento popular muito maior do que o PCP alguma vez conseguiu ser antes e depois do 25 de Abril.
Todos conseguimos ver que os partidos de esquerda anti portuguesa que nos têm governado, desde o PSD ao Bloco, estão em pânico perante a possibilidade de perderem o controlo de algo que sempre viram como o seu brinquedo: o estado português.
Estas personagens sempre acreditaram que décadas de políticas ruinosas poderiam ser controladas pela TAP, que tratava de tirar os descontentes daqui enviando-os para França, Alemanha, Reino Unido, Suíça ou Luxemburgo, deixando por cá só os idosos, e, mais recentemente, uma legião de analfabetos do terceiro mundo para cuidarem deles.
Eles nunca pensaram que poderia chegar o dia em que o seu monopólio do controlo do estado pudesse ser ameaçado pela vontade popular, até porque o sistema educativo foi cuidadosamente desenhado para glorificar o regime político pós 74 e diabolizar tudo o que aconteceu nas centenas de anos anteriores.
Atos como os apelos à ilegalização do Chega ou a sabotagem de comissões parlamentares ao funcionamento de polícias cujos diretores ameaçam o líder da oposição, são uma escalada conflitual dos que se acham donos do estado contra os eleitores. Uma escalada que a todos devia preocupar, mesmo aqueles que não gostam do Chega mas gostam que o direito ao voto tenha consequências que não sejam meramente aparentes.
Portugal e muitos países europeus encontram-se numa deriva autoritária inaceitável e num caminho perigosíssimo em termos civilizacionais. Melhor seria para todos que o regime desistisse desta escalada anti-democrática. A democracia tem muitos defeitos, mas tem uma virtude inegável: permite aos povos mudar de governo de forma pacífica. Ninguém é dono do Estado.
O dono do Estado são todos os portugueses que o construíram e constroem diariamente, incluindo os eleitores do Chega. Transformar num movimento clandestino um partido que representa milhões de portugueses retira a milhões de portugueses a possibilidade de terem o governo que pretendem por via democrática. E convém não esquecer que normalmente a História não é muito simpática para com as tiranias.
O Estado Português é de todos os portugueses, e não apenas de alguns iluminados que se acham gestores brilhantes mas que nas últimas décadas apenas têm conseguido semear miséria, dívida, impostos, corrupção e um plano desprezível para substituir os portugueses que são obrigados a emigrar por escravos oriundos do terceiro mundo, numa tentativa absolutamente imoral de ressuscitar um modelo económico enterrado há séculos.
Se não gostam do rumo dos acontecimentos, têm duas alternativas: façam melhor, ou aceitem que o povo vos despeça! Estarem a brincar com a ideia do recurso à força que também é paga por quem só vos quer ver longe, para se manterem no poder, é inaceitável. Portugal ainda não é a Venezuela.
