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Cristianismo, a nova contra-cultura

porque é que os jovens estão a regressar à Igreja?

Contrariando a secularização que se acreditava ser irreversível, um discreto renascimento religioso parece estar a varrer a Europa, particularmente entre os jovens. Para compreender as suas forças motrizes, a jornalista dinamarquesa Liv Klingert com o padre Daniel Steiner Ebert, sacerdote católico na Dinamarca, numa entrevista publicada no European Conservative. O seu diagnóstico: uma geração em busca de profundidade, cansada do vazio deixado pela cultura secularizada.

Sinais convergentes na Europa

Diversos indicadores corroboram a hipótese de um ressurgimento da fé. Em França, 21 mil adultos e jovens foram batizados até à Páscoa de 2026, um aumento de 20% face a 2025 — ano que já tinha registado um aumento de 32% face ao ano anterior. Em Espanha, aproximadamente 45% dos jovens entre os 15 e os 29 anos identificam-se como católicos, um aumento de quase 50% em relação a 2020.

O artigo cita também, com cautela, um relatório britânico de 2025 que indica um aumento de quatro vezes na frequência religiosa entre os jovens dos 18 aos 34 anos, embora note que a sua metodologia tem sido seriamente questionada desde então. Na Dinamarca, um inquérito da Verian de 2025 concluiu que pelo menos 10% dos jovens dos 18 aos 35 anos frequentam a igreja regularmente, em comparação com 7% dos jovens dos 36 aos 59 anos — e o número de católicos praticantes nesta última faixa etária mais do que duplicou desde 2010.

O Vazio de uma Vida Secularizada

Para o Padre Ebert, este movimento surge de um vazio existencial. A sociedade, no seu entender, há muito que oferece uma vida vazia: o cristianismo, considerado aborrecido, levou a sucessivas tentativas de budismo, Nova Era ou “sexo, drogas e rock ‘n’ roll”, sem nunca encontrar qualquer profundidade. Acredita que os seres humanos são, por natureza, buscadores, seres religiosos, e que essa busca os leva de volta a um encontro com o cristianismo.

O padre vê nisto uma forma de rebeldia enraizada na experiência vivida pelos jovens. Criados por pais seculares, provaram o “fruto secular” e consideraram-no decepcionante. Evoca uma geração marcada por infortúnios — divórcios familiares, saúde mental a níveis sem precedentes — e considera as respostas herdadas ineficazes, ligando-as ao que chama a “ditadura do relativismo”, resumida pela fórmula “está tudo bem se for verdade para ti, mas não para mim”, que descreve como superficial.

Uma ruptura com o progressismo

O padre oferece uma explicação mais controversa para o papel de liderança dos jovens: a cultura secularizada, segundo ele, conduziu um “programa de doutrinação” dirigido às mulheres, através de um feminismo que considera tóxico e anticristão, também hostil aos homens. Excluídos e retratados como desprezíveis, muitos homens estão a isolar-se, alguns em direção a formas extremas de masculinidade online — cita o influenciador Andrew Tate — outros a continuar a sua busca pelo cristianismo.

Mas é precisamente aí, defende, que reside a verdadeira masculinidade: no amor sacrificial, na doação de si por aquilo que se ama. Liga isto ao debate aceso nos círculos católicos americanos sobre uma Igreja que se tornou demasiado “feminizada” e um clero influenciado pela sociedade secular, que supostamente preferia temas não controversos a temas difíceis — ao ponto de já não se atrever a falar do inferno, que Jesus, no entanto, aborda amplamente nas Escrituras.

O Fascínio da Beleza e da Tradição

Este renascimento é acompanhado por um gosto acentuado pelas formas tradicionais do cristianismo. Os jovens sentem-se particularmente atraídos pelo catolicismo e pela ortodoxia, que são mais exigentes em termos de sacramentos e jejum e, por isso, mais capazes de satisfazer a sede de disciplina. Muitos jovens católicos são, assim, apaixonados pela Missa Tridentina em latim.

O padre Ebert não se surpreende e vê isto como uma questão de beleza, que considera objetiva e não relativa: ninguém acha um pôr-do-sol feio, a música clássica é universal. A participação na Missa tradicional decorre do desejo de um culto autêntico e sério, onde a beleza tem o seu lugar — uma necessidade ainda mais premente numa geração que cresceu numa sociedade carente dela.

Uma fé que deve ser reconhecida publicamente. Na Dinamarca, o padre acredita que este ressurgimento permanece mais moderado do que noutros lugares, contido pela “Lei de Jante”, esta norma escandinava de conformidade que desencoraja o destaque e, na sua opinião, ainda torna arriscado falar sobre a própria fé em público. Aponta para uma sociedade que considera esquizofrénica, com uma igreja estatal que deve manter-se discreta.

Opõe-se veementemente à ideia de que basta crer sem praticar: para ele, ser cristão envolve todas as ações, e não apenas a esfera privada. Descreve uma cultura dinamarquesa que, apesar das suas raízes, já não é cristã, marcada pelo socialismo e pela delegação de toda a solidariedade ao Estado — o que, segundo ele, produz uma sociedade fria. Lamenta ainda a ausência de qualquer debate sobre o aborto, que estima em cerca de 15 mil por ano no país.

Quanto à sustentabilidade deste renascimento, o sacerdote é lúcido: o cristianismo, por não ser uma ideia política, só perdurará, no seu entender, entre aqueles que tiveram um encontro genuíno com Deus. Por fim, estende um convite aos jovens que procuram significado e modelos positivos fora da política: que olhem para São José, que apresenta como a personificação do homem perfeito depois de Jesus, cujas prioridades e espírito de sacrifício oferecem uma saída para a crise da sociedade contemporânea.