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Entrevista com Eva Vlaardingerbroek

«A batalha vence-se primeiro no domínio das ideias, das imagens e da linguagem.»

Eva Vlaardingerbroek já não é apenas uma voz dissidente na paisagem mediática europeia: tornou-se um dos rostos de uma ofensiva política concreta. Co-fundadora da Save Europe Act ao lado de Martin Sellner, apoiada por Viktor Orbán e proibida de entrar em território britânico desde Janeiro de 2026, a activista neerlandesa encarna uma geração de patriotas europeus que decidiu passar das palavras à acção. Nesta entrevista ao Voxeuropa Herald, faz um balanço dos dois anos decorridos desde o seu discurso marcante na CPAC Budapeste, analisa os mecanismos jurídicos e políticos por detrás da Iniciativa de Cidadania Europeia que lidera e expõe a sua visão de uma Europa que reage.

Na CPAC Budapeste, em 2024, declarou que a Grande Substituição já não era uma teoria, mas uma realidade. Dois anos depois, que desenvolvimentos concretos sustentam essa avaliação e o que mudou desde esse discurso?

Quando falei na CPAC Budapeste em 2024, disse que a Grande Substituição já não era uma teoria, mas uma realidade. Na altura, isso ainda era muito controverso. Sabia que estava a correr um grande risco ao falar do assunto, mas a verdade é a verdade e tinha de ser dita. Especialmente num palco como aquele. Agora, dois anos depois, infelizmente os números falam mais alto do que nunca. As grandes cidades europeias continuaram a sua rápida transformação demográfica. As populações nativas europeias estão a diminuir, enquanto os fluxos de entrada não europeus, legais e ilegais, as substituem. As estatísticas criminais na Suécia, Alemanha, França, Países Baixos e Reino Unido mostram uma sobre-representação persistente de certos grupos não europeus em crimes violentos e sexuais. As sociedades paralelas expandiram-se, não se contraíram. Os escândalos das redes de violação continuam a surgir com os mesmos padrões. Os sistemas de assistência social estão sob pressão devido ao peso de populações que chegaram como consumidoras líquidas de recursos, e não como contribuintes. As elites políticas continuam a repetir banalidades sobre a “diversidade”, enquanto os europeus comuns vêem os seus bairros, escolas e espaços públicos transformarem-se para além do reconhecimento. A trajectória contra a qual alertei apenas se agravou, mas o aspecto positivo é que, finalmente, o tema está a ser discutido abertamente. Contudo, a situação é tão urgente que quis ir além da fase da simples conversa. É por isso que existe a Save Europe Act: para tomar medidas concretas e dar às pessoas um instrumento para obrigar Bruxelas a tomar posição.

A Save Europe Act é uma Iniciativa de Cidadania Europeia: se atingir um milhão de assinaturas em sete Estados-Membros, a Comissão é legalmente obrigada a responder. Ultrapassaram as 100.000 assinaturas em quarenta e oito horas. Como prevê atingir a meta de um milhão de assinaturas e em que países a resistência é mais forte?

Ultrapassámos as 100.000 assinaturas em menos de quarenta e oito horas porque a mensagem tem ressonância. As pessoas estão cansadas de serem manipuladas. Para chegar a um milhão de assinaturas em sete Estados-Membros, recorreremos a um trabalho de base incansável: campanhas nacionais adaptadas à língua e às preocupações de cada país, alianças com partidos e movimentos patrióticos já representados nos parlamentos, conteúdos virais e também eventos presenciais. Já ultrapassámos largamente os primeiros marcos e continuamos a crescer rapidamente.

A Comissão pode optar por não agir, mesmo após um milhão de assinaturas. Tem um plano alternativo ou considera que a própria mobilização tem valor político independentemente da resposta institucional?

A Comissão pode, de facto, arrastar o processo ou recusar uma acção significativa mesmo após um milhão de assinaturas. É precisamente por isso que a própria mobilização tem um enorme valor político. Cada assinatura é um acto de desafio cívico. Cada partilha, cada conversa, cada grupo local criado em torno desta iniciativa desloca a janela de Overton e constrói o poder popular patriótico. Obriga a questão a vir para o debate público. Também dá cobertura e legitimidade aos governos nacionais para iniciarem politicamente a remigração. Mesmo uma resposta formal negativa por parte de Bruxelas não seria uma derrota: exporia um profundo sentimento antidemocrático e mobilizaria ainda mais pessoas. Não depositamos a nossa esperança final na Comissão. Depositamo-la no despertar dos povos europeus. Se eles encerrarem esta iniciativa, iremos a Bruxelas e encerraremos a sua censura.

O texto apela a uma moratória à imigração não europeia, a um quadro de remigração harmonizado ao nível da União Europeia e à eliminação de prestações sociais que funcionam como factores de atracção. Que modificações aos tratados seriam necessárias para tornar estas medidas aplicáveis e qual considera ser o principal obstáculo jurídico a remover?

As medidas concretas da Save Europe Act — uma moratória à imigração não europeia, um quadro harmonizado de remigração e a eliminação dos factores de atracção associados ao Estado social — exigem mudanças reais na forma como a União Europeia funciona. Na verdade, uma reformulação total. O principal obstáculo jurídico não é um único artigo dos tratados, mas sim a superestrutura acumulada do direito dos direitos humanos, especialmente a Convenção Europeia dos Direitos Humanos e as decisões do Tribunal de Estrasburgo, que são constantemente utilizadas para violar os direitos humanos dos povos indígenas da Europa. Estas normas impedem a deportação de criminosos graves e deixam as nações indefesas. As próprias regras da União Europeia em matéria de migração e asilo, construídas sobre o princípio da não devolução (non-refoulement), têm de ser profundamente reescritas. Seriam necessárias alterações aos tratados ou, quando necessário, uma reafirmação da soberania nacional do tipo que vemos na Hungria. O artigo 4.º, n.º 2, do Tratado da União Europeia já reconhece o direito dos Estados-Membros a protegerem as suas identidades nacionais; pretendemos devolver significado a essa cláusula.

A Save Europe Act foi lançada com Martin Sellner e outros cinco promotores e conta com o apoio de Viktor Orbán. Como consegue reunir sensibilidades políticas tão diferentes em torno de um texto comum sem o diluir?

Unimo-nos em torno de um núcleo inegociável: a Europa pertence aos povos europeus, a nossa civilização tem direito à continuidade e a actual substituição deve ser revertida. Orbán traz a experiência de um estadista que governou efectivamente contra a corrente dominante e protegeu o carácter demográfico da sua nação. Sellner e a rede em torno da Cimeira da Remigração trazem energia activista. O texto mantém-se firme porque se recusa a diluir os elementos essenciais — fronteiras, repatriamentos, eliminação de incentivos — em discursos vagos sobre integração. É o consenso dos patriotas europeus na sua forma mais pura e, por isso, consegue ultrapassar diferenças nacionais, culturais e sociais.

Remigração: quem regressa, segundo que critérios, por que meios e dentro de que enquadramento jurídico? Pode descrever concretamente aquilo que defende?

A remigração, concretamente, começa por aqueles que não têm direito a estar aqui. Todos os que entraram ilegalmente, excederam a duração dos vistos ou viram os seus pedidos de asilo rejeitados devem ser removidos. Todos os cidadãos estrangeiros condenados por crimes graves devem ser deportados. Em seguida, construímos um quadro harmonizado de remigração à escala da União Europeia: exercendo pressão sobre grupos que formaram sociedades paralelas, que rejeitam os nossos valores e cuja presença mina activamente a coesão social e a segurança. Os meios incluem acordos diplomáticos com os países de origem, incentivos ao regresso voluntário e, quando necessário, remoção compulsiva com pleno respeito pelos procedimentos legais. Isto não é extremo; é o mínimo necessário para restaurar a ordem legal e preservar a possibilidade de uma futura civilização europeia. Começamos pelos casos mais evidentes e alargamos o quadro de forma metódica e legal.

Construiu parte da sua audiência em torno da ligação entre imigração em massa e segurança física das mulheres, um tema que certas feministas recusam abordar. Porque considera que este silêncio persiste e o que revela sobre o estado do feminismo contemporâneo?

O silêncio de tantas feministas sobre a ligação entre a imigração em massa não europeia e a segurança das mulheres europeias é uma das falhas mais reveladoras desta ideologia. O feminismo contemporâneo decidiu que certos homens devem ser protegidos do escrutínio “racista”, mesmo quando as vítimas são mulheres e raparigas nativas. O que vimos em Colónia, Rotherham, Telford e inúmeros outros locais são exemplos dilacerantes dessa realidade. Contudo, a resposta é frequentemente o desvio do tema, a minimização ou mesmo a censura directa, atacando as mulheres que falam. Isto revela que grande parte do feminismo moderno já não se centra prioritariamente nas mulheres; tornou-se um veículo para uma ideologia antiocidental e anti-branca que trata os povos europeus e a sua segurança como preocupações secundárias. Uma preocupação genuína com as mulheres não deveria recear reconhecer quais as populações que estão na origem do aumento dos crimes sexuais.

Em Janeiro de 2026, o Governo britânico proibiu-a de entrar no Reino Unido, sem direito de recurso, alegando que a sua presença “não era conducente ao bem público”. O que revela esta decisão sobre o estado das liberdades civis na Europa Ocidental?

A decisão do Governo britânico, em Janeiro de 2026, de me proibir de entrar no Reino Unido, sem direito de recurso, alegando que a minha presença “não era conducente ao bem público”, diz-nos tudo sobre o estado das liberdades civis na Europa Ocidental. Uma mulher neerlandesa sem cadastro criminal pode ser impedida de entrar num país inteiro por falar de verdades incómodas sobre imigração, criminalidade e mudança demográfica, enquanto migrantes sem documentos são acolhidos e recebem cuidados de saúde e habitação gratuitos. Eu não sou conducente ao bem público, mas, segundo Starmer, o migrante sudanês que tentou decapitar um homem em Belfast era. É a isso que tudo se resume. Mas penso que o povo britânico já teve o suficiente e que o governo de Starmer terminará em breve [nota: já terminou]. Apoio Rupert Lowe, um verdadeiro patriota.

Define-se como católica e vê a defesa da identidade europeia como uma luta moral, e não apenas política. De que forma concreta a fé transforma a maneira como conduz esta luta e o que lhe permite suportar?

Sou católica. Converti-me há pouco mais de três anos. Foi uma escolha profundamente pessoal, não de natureza política, mas posso dizer que a minha fé não é um ornamento desta luta: é o seu fundamento. A defesa da identidade europeia é, para mim, um dever moral enraizado nas nossas raízes cristãs. Permanecer passiva enquanto essa herança é destruída demográfica e culturalmente seria uma falha de amor. Amor ao próximo, amor pelas gerações que ainda estão por vir, amor pelo património que nos foi confiado. A fé dá-nos resistência porque sabemos que, no fim, tudo está nas mãos de Deus. Quando por vezes sinto medo, penso nas palavras da minha santa padroeira, Santa Joana d’Arc: “Não tenho medo, porque Deus está connosco! Nasci para fazer isto.” Não sou digna sequer de permanecer à sua sombra, mas a sua coragem é para mim uma fonte inesgotável de inspiração.

O Voxeuropa Herald está convencido de que a batalha pela Europa também se ganha no espaço mediático e metapolítico. Que papel atribui concretamente aos meios de comunicação identitários europeus no sucesso da Save Europe Act?

Os meios de comunicação identitários europeus, como o Voxeuropa Herald, e a rede mais ampla de vozes independentes são indispensáveis para o sucesso da Save Europe Act. Os meios de comunicação tradicionais ignoram-nos completamente ou atacam-nos activamente, pelo que precisamos mais do que nunca de publicações como a vossa. A batalha vence-se primeiro no domínio das ideias, das imagens e da linguagem. Os meios de comunicação tradicionais não relatam honestamente os factos demográficos nem os padrões de criminalidade. Vocês fazem-no. Documentam a substituição em tempo real, dão voz às vítimas, expõem a hipocrisia das elites e entrevistam patriotas como nós. Sem a esfera dos meios alternativos e plataformas como o X, eles conseguiriam silenciar-nos. Graças a vós, não o conseguem.

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é uma iniciativa que dá voz aos que moldam a Europa de hoje: políticos, ensaístas, filósofos, ativistas, artistas e influenciadores. Estes retratos são respostas coletivas às crises que abalam a nossa Europa. Perante as grandes transformações da nossa época, o VoxEuropa Herald dá voz àqueles que, por toda a Europa, partilham soluções e visões para o futuro. A mensagem é clara: as realidades europeias exigem respostas europeias.