A história por trás de "Bella Ciao", inscrito numa das balas destinada a Charlie Kirk.
Para a generalidade das pessoas, Bella Ciao é simplesmente uma melodia festiva sem grande significado. Evocando o sol italiano, é facilmente cantada; o ritmo é alegre e um pouco excêntrico. Mas no seu país natal, estas duas palavras não evocam alegria, sol e boa disposição, mas antes um período negro em que o sangue corria livremente. Tyler Robinson, o alegado autor do assassinato de Charlie Kirk, sabia disso: ao inscrevê-las numa das balas destinadas à sua vítima, afirma claramente os motivos antifascistas do seu crime.
“Bella Ciao” não é apenas uma canção cativante trazida de volta à moda pela série de enorme sucesso da Netflix “A Casa de Papel”, mas o hino da resistência italiana¹. O que ainda poderia ser o caso se os Partigiani tivessem simplesmente libertado a Itália do fascismo, algo de que se gabam, mas que deve ser atribuído ao exército americano, independentemente do que diga a lenda.
A realidade histórica é tudo menos gloriosa: a resistência italiana demonstrou uma brutalidade e uma selvajaria sem precedentes após o final da guerra. Para além das atrocidades perpetradas durante a guerra — infelizmente registadas por todos os lados —, os guerrilheiros cometeram inúmeros actos bárbaros, de 1945 a 1948, após a queda do regime fascista. Durante três anos, após a assinatura do armistício, aqueles que cantavam “Oh Bella ciao, Bella ciao, Bella ciao ciao!” deram livre curso à sua loucura assassina: execuções sumárias, violações colectivas, massacres de civis, torturas… baseadas em meras suspeitas, muitas vezes infundadas. Ainda hoje, o hino divide os italianos; recordamos, por exemplo, o alvoroço causado pela recusa de Laura Pausini em cantá-lo durante um programa televisivo.
Ao gravar estas palavras nos seus projécteis, Tyler Robinson abraça o legado criminoso dos antifascistas italianos, bem como a sua moralidade mais do que questionável, que justifica os massacres pela crença de que agem em prol da humanidade: as opiniões de Charlie Kirk, distorcidas e caricaturadas ao extremo pelos grandes meios de comunicação, fizeram dele um monstro cuja morte foi legítima. Afinal, ele “mereceu”.
Doutrinados nas universidades, atolados na sua busca de conformidade social disfarçada de rebelião, cegos pelas suas faculdades cognitivas em declínio, os activistas de esquerda radical, com um forte discurso anticapitalista, são incapazes de compreender o paradoxo de proclamar “nenhuma liberdade para os inimigos da liberdade”. Provavelmente um dos maiores disparates da história das ideias… com um futuro promissor.
¹Cantada por alguns sectores da resistência italiana na Emília-Romanha, a canção popular “Bella Ciao!” foi posteriormente escolhida para incorporar o hino de todos os partigiani. Desde então, foi adoptada pelos antifascistas globais.
