Xavier Eman
“Devíamos ser uma irmandade, uma família, mas, na melhor das hipóteses, somos um pátio de escola com os seus aspirantes a bullies que intimidam as crianças mais pequenas e de óculos, os seus alunos brilhantes que desprezam os atletas que retribuem o favor, os seus queridinhos dos professores que ainda sonham estar nas boas graças do director, as suas crianças tímidas postas de lado, as suas meninas que só falam de rapazes, mas odeiam e insultam aqueles com quem têm relações sexuais, as suas crianças egoístas que não partilham os lanches, os seus filhos bullies que os tentam roubar, os seus ciúmes, as suas crueldades… No entanto, perante os tempos cada vez mais negros que se avizinham, só temos uma opção: sermos mais bondosos (a palavra não é ridícula), mais solidários, mais humildes, mais generosos, mais virados para a comunidade e mais dignos do que a massa de ovelhas destinadas à lavagem cerebral e, depois, ao matadouro. Sem isso, partilharemos o mesmo destino. Não há razão para isso.”
