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A luta contra o catolicismo, uma obsessão progressista

Os ataques contra a Igreja Católica prosseguem sem tréguas.

por Paysan Savoyard in Les Chroniques du Paysan Savoyard 

A Igreja é regularmente posta em causa devido aos actos de pedofilia e às agressões sexuais cometidas por religiosos, frequentemente no seio dos internatos de estabelecimentos católicos. É igualmente acusada de ter encoberto esses actos ou de ter fechado os olhos. É naturalmente legítimo que os actos repreensíveis ou criminosos em causa sejam perseguidos e julgados penalmente, ainda que sejam muitas vezes antigos. Contudo, os ataques contra a Igreja por estes motivos estão geralmente impregnados de má-fé e desonestidade. Outros sectores da sociedade são igualmente susceptíveis de ser afectados por actos pedófilos, devido à proximidade física entre adultos e crianças que necessariamente aí prevalece: centros de lazer e férias, ensino público, clubes desportivos… Ora, esses meios são muito menos atacados do que a Igreja Católica a propósito das agressões sexuais, embora seja provável que estejam igualmente afectados no mesmo grau. No mesmo registo de má-fé, notar-se-á que a ligação entre os actos pedófilos e a homossexualidade dos culpados nunca é posta em evidência, embora esteja manifestamente presente com frequência, sendo culpados e vítimas, na maioria dos casos, do sexo masculino. Esta ocultação desonesta explica-se facilmente: a homossexualidade ocupa, na sociedade progressista, o papel de vaca sagrada.

Pode igualmente observar-se que a religião católica e a Igreja são frequentemente alvo de troças e caricaturas muitas vezes insultuosas. Os jornais satíricos e a publicidade recorrem frequentemente a ataques deste tipo. Recentemente, os espectáculos e cerimónias organizados à margem dos Jogos Olímpicos incluíram várias cenas explicitamente anticatólicas.

A religião católica e a Igreja são igualmente alvo constante de ataques mais ou menos frontais em nome da laicidade. A legitimidade do ensino católico é permanentemente posta em causa, explícita ou insidiosamente, servindo os casos de pedofilia de combustível à luta contra os seus estabelecimentos escolares. O Sistema progressista pretende nomeadamente obrigar os estabelecimentos católicos a conformarem-se às regras que regem o ensino público: pretende-se assim assegurar que os ensinamentos religiosos permaneçam opcionais; os ensinamentos progressistas, nomeadamente relativos à educação sexual, devem pelo contrário estar bem presentes; os estabelecimentos privados são intimados a integrar os dispositivos de “carta escolar” e a diversificar o seu recrutamento aceitando uma maior mistura social (isto é, na realidade, racial). Os ataques em nome da laicidade encontram constantemente novos pretextos: nestes dias, os laicistas criticam a decisão do governo de colocar as bandeiras a meia haste por ocasião da morte do papa. A recusa em mencionar as raízes cristãs da Europa no projecto de Constituição Europeia constituiu, em 2005, um momento-chave da luta laicista. Recorde-se igualmente as tentativas de grupos laicos que, aproveitando o incêndio que atingiu Notre-Dame e as obras de reconstrução que deveriam aí realizar-se, exigiram a laicização da catedral. Estes diferentes episódios recordam e sublinham-no: a laicidade é, na realidade, desde a origem, uma máquina de guerra contra o catolicismo.

Figuram igualmente no registo da luta anticatólica as pressões exercidas sobre a Igreja pelos meios de comunicação, intelectuais e militantes da laicidade, relativamente ao lugar das mulheres na Igreja, denunciado como insuficiente. As mesmas pressões exercem-se também em favor do casamento dos padres, apresentado como um meio de limitar as tentações de agressões sexuais por parte dos religiosos. Estas pressões são de má-fé e intelectualmente desonestas: a maioria daqueles que as exercem não sendo cristãos, com que direito se consideram autorizados a pronunciar-se sobre as práticas da Igreja? Do mesmo modo, em nome de que princípio deveria a Igreja obrigar-se, no seu funcionamento interno, a conformar-se aos costumes e mutações da sociedade?

Ferreamente anticatólicos, os progressistas mostram, em contrapartida, a maior complacência em relação às outras religiões. Embora a religião cristã seja historicamente o alicerce da civilização europeia, os progressistas e os seus meios de comunicação esforçam-se constantemente por colocar no mesmo plano as diferentes religiões hoje presentes em França. Essas outras religiões são quase totalmente poupadas às troças e aos ataques. Os juízos negativos sobre o islão tornaram-se mesmo penalmente repreensíveis, sendo a islamofobia considerada um incitamento ao ódio e, portanto, um delito (o mesmo sucede, escusado será dizer, em relação à religião judaica). No mesmo espírito, os progressistas e os meios de comunicação destacam constantemente os actos antissemitas e antimuçulmanos, ao passo que silenciam na maior parte das vezes os actos anticristãos, apesar de mais numerosos e mais graves (vários padres católicos foram assassinados, por exemplo, enquanto, salvo erro, não houve até hoje homicídios de rabinos ou imãs). No mesmo registo, os progressistas gostam de exaltar as espiritualidades e os ritos mais exóticos, como o budismo ou as práticas alternativas chinesas, enquanto os ritos e modos de organização do catolicismo são denunciados e ridicularizados.

A Igreja só é aprovada pelos progressistas quando vai no sentido da sociedade, em particular em favor dos migrantes. Foi isso que fez o Papa Francisco, querido do Sistema, enquanto o seu predecessor Bento XVI, papa tradicionalista, era detestado. Para que os ataques contra a Igreja pedófila ou retrógrada cessem por algum tempo, é preciso que ela celebre, em uníssono com os progressistas, os imigrantes, os marginais e as minorias sexuais; mas a complacência progressista e humanista em relação à Igreja é sempre de curta duração, e muito rapidamente a obsessão anticatólica retoma com redobrada intensidade.

As leis progressistas que subvertem os costumes são também uma forma de combater o catolicismo

Há várias décadas que os progressistas no poder multiplicam as reformas em matéria de costumes. A repartição tradicional dos papéis entre homens e mulheres é denunciada e combatida. O divórcio foi completamente liberalizado (podendo agora ser formalizado por simples declaração escrita). O direito ao aborto conhece uma expansão constante. Os direitos dos homossexuais são igualmente incessantemente ampliados (PACS, procriação medicamente assistida, possibilidade de adopção, reconhecimento dos filhos nascidos por gestação de substituição…). Culminando esta evolução, a mudança de género é hoje reconhecida… O domínio da morte é também o das “conquistas societais”: promoção da cremação; promoção da dispersão das cinzas (nomeadamente por razões ambientais, ousam afirmar os “escrologistas”…); projecto em curso de legalização do suicídio assistido…

Todas estas “conquistas” relativas aos costumes são animadas pelo humanismo, ideologia da classe dominante. O humanismo concede, com efeito, o primado ao indivíduo: libertado de toda a tradição e de todo o dogma, este deve ver o seu livre-arbítrio e os seus direitos consagrados pela sociedade. Resultantes do humanismo, as transformações societais constituem ao mesmo tempo ataques contra os dogmas e tradições cristãs. Assim, a Igreja, celebrada quando aprova a imigração, é constantemente condenada pelo seu conservadorismo em matéria de costumes.

Neste domínio, a propaganda mentirosa e manipuladora exerce-se em pleno: a Igreja é denunciada como integrista, conservadora e reaccionária, quando defende concepções que, há apenas seis ou sete décadas, eram as de toda a sociedade.

Dois séculos de luta anticatólica

Estes ataques contra a Igreja e estas empresas anticatólicas inscrevem-se na duração. Começaram com as Luzes e a Revolução Francesa, cuja hostilidade ao catolicismo constitui um dos principais motores. E prosseguem sem interrupção desde então.

A religião católica e a sua Igreja são o inimigo dos progressistas e dos demais humanistas por três razões. Antes de mais, porque incarnavam ambas a sociedade tradicional, a sociedade do Antigo Regime, que a revolução pretendeu derrubar em todos os seus aspectos. São o inimigo privilegiado, em segundo lugar, porque os dogmas, tradições e costumes cristãos tinham por função, e por efeito, enquadrar a sociedade e, desse modo, limitar os indivíduos, as suas paixões e os seus desejos: esta empresa de enquadramento é evidentemente contrária à vontade dos humanistas de promover o indivíduo, as suas aspirações e os seus direitos. A religião católica é inimiga, finalmente, porque os humanistas são materialistas e negam toda a transcendência.

Já o assinalámos nestas crónicas em numerosas ocasiões: a hostilidade anticatólica, consubstancial ao progressismo humanista, possui um carácter paradoxal, uma vez que o progressismo é, em larga medida, construído sobre mandamentos evangélicos tomados à letra (a prioridade dada aos pobres, o objectivo de igualdade, o universalismo…). O humanismo (ou progressismo, sendo os dois termos sinónimos), edificado em particular em torno do dogma da igualdade universal, constitui na realidade uma religião sem deus. Pode mesmo ir-se mais longe: o indivíduo e os seus direitos, colocados no centro da sociedade, substituíram Deus. Sob o império do humanismo, o indivíduo deixou de ser apenas rei: tornou-se deus.

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O Papa Bento XVI recordou-o em numerosas ocasiões (nomeadamente em França, no seu discurso aos Bernardinos): a civilização europeia assenta sobre dois pilares, a Razão, descoberta e celebrada pelos Gregos, e a Fé dos Cristãos. Por isso fez deste aviso a mensagem central do seu pontificado: ao abandonarem a fé cristã, os Europeus estão a arruinar a sua civilização.

Os humanistas e demais progressistas, inimigos do catolicismo desde há dois séculos, são por isso os piores inimigos da própria civilização europeia. E é forçoso constatar que são amplamente ajudados nas suas empresas deletérias pela própria Igreja, mergulhada numa deriva suicidária desde o Vaticano II.