França: 31 presidentes de Câmara da direita nacional na primeira volta das Municipais 2026
Neste fim-de-semana decorreu a primeira volta das eleições municipais francesas com resultados muito animadores para a direita nacional que conquistou mais de três dezenas de Câmaras Municipais assim distribuídas: 23 para o Rassemblement National (RN), 3 para a Union des droites pour la République (UDR) e os restantes para listas independentes. Prevê-se que, na segunda volta, a direita nacional conquista cerca de 50 Câmaras, nomeadamente Nice e Marselha.
Eleições locais: reformulação da imagem, LFI, a direita…
Análise de Jean-Yves Le Gallou
Após a primeira volta das eleições autárquicas de 2026, podem ser retiradas algumas lições iniciais. Jean-Yves Le Gallou revisita várias delas, que ajudam a compreender melhor as questões políticas do momento e do futuro. (in Polémia)
1/ Os apoiantes de Macron, que não conseguiram consolidar-se em 2020, não estão em melhor situação em 2026. Muitas vezes, só existem em aliança com os LR [Les Republicains], que também estão em declínio. (Das profundezas.)
2/ A política de divisão e radicalização da LFI [La France Insoumise] está a revelar-se eleitoralmente bem-sucedida, pelo menos nas 20 maiores cidades, onde o apoio aos seus candidatos aumentou de 7% para 14%. Imigrantes de um lado e, do outro, funcionários públicos brancos frustrados e estudantes, mobilizados pela abordagem de Mélenchon.
3/ Para a segunda volta, a diabolização não é um obstáculo para a LFI. A aliança de esquerda será formada onde for necessário vencer: em Toulouse, Lille ou Besançon. A “firmeza” socialista em Marselha e Paris é compreensível: não precisam da LFI para manter o controlo destas cidades.
4/ O RN [Rassemblement National ] continua a sua expansão e conquista inúmeras vitórias à primeira volta e 23 Câmaras, à primeira volta.
5/ No entanto, a sua política de suavizar a imagem ainda não está a funcionar: o cordão sanitário mantém-se, pelo menos no topo. Estão a ser erguidas barreiras, principalmente em Toulon, através de diretrizes dos LR.
6/ Os “diversos partidos de extrema-direita”, segundo a terminologia de Nunez, estão a sair-se bem: Reconquête, UDR e vários dissidentes estão a prosperar. Ciotti está prestes a vencer em Nice. Knafo é o única candidata do campo nacionalista a ultrapassar os 10% nas principais áreas metropolitanas.
7/ As campanhas de demonização selectiva promovidas por Mediapart e StreetPress estão a surtir efeito nas sedes partidárias enfraquecidas, mas certamente não nos eleitores: em Dunquerque, o candidato patriota que viu a nomeação negada pelo RN obteve 40% dos votos em comparação com 2020; em Segré, Jean-Eudes Gannat conquistou 23% dos votos num dos maiores municípios resultantes de fusões em França; em Argenton-sur-Creuse, Pierre Gentillet recebeu mais de 35% dos votos; em Bellabre, o opositor ao centro para migrantes derrotou o presidente da câmara em exercício; em Salbris, o presidente da Câmara da UDR, Alexandre Avril, um alvo prioritário da extrema-esquerda, foi reeleito com 72% dos votos. Os cães ladram, mas a caravana passa.
8/ O cenário está montado: a oposição entre a França rural e a França metropolitana, entre os que recebem benefícios e os que pagam impostos. Como diz Pierre Boisguilbert no seu artigo sobre as eleições municipais, a oposição entre a França de Joana d’Arc e a França de Gaza.
Jean-Yves Le Gallou, 16 de Março de 2026
