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Nos EUA, a fabricação do inimigo visa silenciar a direita

Qualquer democracia que defenda a liberdade de expressão deve aceitar a necessidade de examinar aqueles que, em nome do Bem, presumem definir os seus limites.

por Balbino Katz [balbino.katz@pm.me] in Polémia

Símbolo da esquerda nos Estados Unidos, o Southern Poverty Law Center está agora a revelar-se pelo que realmente é: não um baluarte contra o extremismo, mas uma máquina para o fomentar de forma a lucrar com ele. Durante anos, esta organização difamou e marginalizou a direita em nome do Bem. E se estes propagadores da virtude prosperarem sobretudo fabricando o inimigo?

Fabricar o extremismo para enriquecer

Durante várias décadas, parte do debate público ocidental girou em torno de um fenómeno raramente estudado por si só: o aparecimento de organizações privadas ou semipúblicas que se apresentam como guardiãs da democracia, árbitras do discurso legítimo e vigilantes encarregadas de identificar os sinais de alerta do extremismo. Nos Estados Unidos, nenhuma estrutura personificou melhor esta função do que o Southern Poverty Law Center (SPLC), há muito reconhecido como uma autoridade moral na luta contra o racismo, a violência política e os grupos radicais.

Durante anos, o seu nome foi pronunciado com uma espécie de respeito automático. O SPLC parecia pertencer àquela categoria de instituições cuja legitimidade já não é posta em causa. A sua história, ligada à luta contra o Ku Klux Klan no Sul profundo, conferiu-lhe uma reputação de rigor e coragem cívica. Os media reverenciavam as suas análises, as agências governamentais consultavam os seus relatórios e as grandes corporações confiavam nas suas classificações. Gradualmente, a organização deixou de ser uma mera activista e passou a ser uma autoridade quase institucional. Mas os recentes acontecimentos nos Estados Unidos destruíram esta imagem com uma brutalidade inesperada. O SPLC enfrenta agora uma acusação federal excecionalmente grave. O caso levado aos tribunais não diz respeito a um erro contabilístico ou a uma disputa ideológica. Descreve um sistema no qual uma organização que angaria fundos para combater a direita alegadamente financiou secretamente alguns dos mesmos grupos que denunciava publicamente.

Este caso merece uma análise séria, não só porque envolve uma importante instituição da vida intelectual americana, mas porque revela um mecanismo mais profundo. Obriga-nos a questionar o verdadeiro papel destas estruturas que, ao longo dos tempos, se tornaram as gestoras oficiais da estigmatização política.

Um poder judicial moral sem travões e contrapesos

Ao longo das décadas, o Southern Poverty Law Center (SPLC) não se limitou a processar grupos “violentos” nos tribunais. A sua influência estendeu-se gradualmente a todo o panorama cultural e institucional americano. Publicou relatórios, mapeou o “ódio”, formou professores, aconselhou jornalistas e forneceu às agências governamentais ferramentas para analisar o “radicalismo” — mas apenas à direita.

À medida que esta influência crescia, um novo tipo de poder consolidou-se. O SPLC não se limitava a julgar acções. Identificava intenções, categorizava ideias e classificava opiniões. As suas listas de grupos rotulados como “odiosos” tornaram-se gradualmente instrumentos de regulação moral.

Num sistema democrático, tal posição é significativa. Equivale a possuir um direito implícito de separar as opiniões aceites daquelas que devem ser mantidas à distância. Uma organização privada viu-se, portanto, investida de uma função quase judicial, sem as restrições do devido processo legal, sem uma verdadeira supervisão institucional e sem responsabilidade política directa.

Esta mudança não foi abrupta. O processo decorreu de forma lenta, quase orgânica, impulsionado pela confiança depositada por veículos de comunicação cúmplices e instituições complacentes. À medida que as sociedades ocidentais desenvolveram uma maior sensibilidade para as questões de discriminação, “ódio” e radicalização, a necessidade de especialistas em vigilância moral aumentou. O SPLC preencheu esta lacuna com uma eficácia notável.

Uma acusação que muda a perspectiva

A actual acusação federal deita por terra esta narrativa.

De acordo com os procuradores norte-americanos, o SPLC terá organizado um sistema de pagamentos secretos entre 2014 e 2023 para compensar os informadores ligados a organizações extremistas. Estes informadores, denominados “fontes de campo”, terão sido financiados através de canais bancários ocultos, empresas de fachada e transferências complexas, concebidas para esconder a verdadeira origem dos fundos.

O documento judicial descreve um mecanismo particularmente preocupante. Uma parte do dinheiro angariado junto dos doadores terá sido utilizada para pagar a indivíduos que ocupavam posições de destaque em grupos supostamente “supremacistas brancos”, neonazis ou do Ku Klux Klan. Alguns terão participado em eventos políticos sensíveis, enquanto outros desempenharam um papel activo em redes militantes, mantendo, ao mesmo tempo, uma relação financeira com a organização que supostamente os monitorizava.

A acusação não se limita a dizer que o SPLC se infiltra em círculos radicais, uma prática comum na inteligência e na investigação. Ela alega que esta infiltração foi acompanhada por um financiamento contínuo, por vezes substancial, destes mesmos círculos.

Esta distinção é crucial. Já não se trata de observar o extremismo, mas, indiretamente, de contribuir para a sua sobrevivência.

O perigo como recurso económico

Este ponto lança luz sobre uma dimensão raramente discutida: a lógica económica da denúncia.

O SPLC possui consideráveis ​​recursos financeiros, alimentados por décadas de campanhas de angariação de fundos bem-sucedidas. O seu discurso público assenta numa ideia simples: o “ódio” está em ascensão, os grupos extremistas estão a proliferar e a democracia deve ser protegida.

Nesta perspectiva, a própria ameaça constitui a condição para a mobilização. Uma organização que prospera combatendo um perigo estrutural depende, em parte, da persistência desse perigo.

A questão, então, torna-se delicada. O que acontece quando uma instituição constrói a sua existência sobre a necessidade de identificar continuamente novos inimigos?

A história das burocracias ensina-nos que toda a estrutura tende naturalmente a preservar as condições da sua própria utilidade. Uma administração encarregada de combater a pobreza depende da existência da pobreza. Uma organização especializada na monitorização do ódio depende também da persistência daquilo que combate.

Neste contexto, a linha entre a vigilância genuína e a economia do medo pode gradualmente desaparecer.

As consequências concretas para a direita americana

A influência do SPLC não foi meramente simbólica. Durante anos, o seu infame “Mapa do Ódio” teve efeitos muito reais nas organizações conservadoras americanas.

Ser classificado pelo SPLC não significava simplesmente ser criticado. Muitas vezes, isto levava a consequências imediatas. Os grupos conservadores ou religiosos viam as suas parcerias suspensas, o seu financiamento questionado e as suas relações bancárias enfraquecidas.

Algumas grandes corporações utilizavam as classificações do SPLC como um parâmetro implícito para determinar com quem podiam ou não colaborar. As organizações eram excluídas dos programas de doação automática, não como resultado de uma decisão judicial, mas porque um rótulo ideológico era suficiente para desencadear um reflexo cauteloso.

Este mecanismo produziu uma forma de marginalização indireta. Uma organização rotulada tornava-se gradualmente difícil de apoiar. Os doadores hesitavam, os parceiros retiravam-se e os locais cancelavam conferências. Em vários casos, os dirigentes associativos tiveram de recorrer a campanhas de emergência ou utilizar os seus próprios recursos pessoais para manter as suas atividades.

O fenómeno foi muito para além do debate intelectual. Afectou a própria capacidade de existir na esfera pública.

Uma influência que altera o clima político

Precisamos de medir os efeitos a longo prazo de um sistema de classificação moral.

Quando uma organização se torna capaz de definir quem pertence ao âmbito do discurso legítimo, influencia inevitavelmente o comportamento colectivo. Os jornalistas evitam certas vozes. As universidades hesitam em convidar certos oradores. As empresas preferem romper parcerias a arriscar danos na reputação.

Este clima não se baseia numa proibição explícita. Ele opera através da antecipação. Os próprios actores económicos, culturais e institucionais interiorizam esta lógica de cautela. Praticam uma forma de autocensura preventiva.

Este mecanismo produz aquilo a que os americanos chamam um efeito inibidor, uma redução silenciosa do espaço para a liberdade de expressão. Certas opiniões deixam de ser discutidas não porque tenham sido refutadas, mas porque se tornam difíceis de defender.

Sede da SPLC
A transição do símbolo para a violência

Outra crítica dirigida ao SPLC diz respeito aos efeitos indirectos da sua rotulagem.

O exemplo mais conhecido continua a ser o tiroteio de 2012 na sede do Family Research Council, em Washington. O autor do ataque explicou que tinha consultado os recursos do SPLC antes de escolher o seu alvo.

O SPLC, naturalmente, condenou o acto. No entanto, a questão levantada por este episódio continua a ser preocupante. Quando uma instituição investida de uma forte autoridade moral designa repetidamente certos grupos como perigosos ou odiosos, será que isso contribui para a criação de um clima onde a violência se torna concebível?

Não se trata de estabelecer responsabilidade legal direta. Trata-se de observar uma dinâmica social. Num cenário político altamente polarizado, as palavras têm poder. As classificações, quando se tornam permanentes, podem ser interpretadas como uma justificação moral implícita.

O precedente alemão

A Alemanha oferece um paralelo particularmente esclarecedor a este respeito. Aí, a questão não é levantada através de uma organização privada comparável ao SPLC, mas sim pelo próprio aparelho de Estado e, mais especificamente, pelo serviço de informações interno.

No início da década de 2000, as autoridades alemãs iniciaram um processo de proibição contra o NPD, um partido nacionalista considerado incompatível com a ordem constitucional. O governo federal, o Bundestag e o Bundesrat esperavam obter uma condenação clara do Tribunal Constitucional. O caso parecia sólido, uma vez que a classe política alemã parecia unida no seu desejo de afastar este movimento da vida pública.

No entanto, o caso tomou um rumo inesperado. Em 2003, o Tribunal suspendeu o processo, não por considerar o partido inofensivo, mas por entender que o próprio Estado tinha minado a validade da acusação.

O serviço de informações internas, o Verfassungsschutz, tinha de facto infiltrado o partido a um grau excepcional. Os informadores, os infames V-Leute, ocupavam por vezes posições importantes dentro da organização. Participavam em reuniões, elaboravam documentos, contribuíam para a estratégia e, segundo alguns observadores, ocasionalmente influenciavam decisões internas.

O Tribunal considerou então que tinha surgido uma dificuldade de fundo. Como distinguir o que realmente emanava da vontade do próprio partido e o que tinha sido incentivado, facilitado ou amplificado pela presença de agentes ligados ao Estado? Quando um organismo público participa nos assuntos internos de uma organização que procura posteriormente proibir, a linha entre a observação e a intervenção torna-se ténue.

Esta decisão continua a ser uma das mais significativas da história constitucional alemã recente. Serviu como um lembrete de que uma democracia não pode condenar um adversário político com base numa realidade que ela própria ajudou a moldar.

Este precedente continua a assombrar os debates alemães até aos dias de hoje. A relação conflituosa entre o AfD e a inteligência interna amplia, de forma diferente, as questões levantadas durante o julgamento do NPD.

Há vários anos que o Gabinete Federal de Protecção Constitucional (Verfassungsschutz) tenta justificar o aumento da vigilância sobre determinadas facções dentro do partido, alegando a prevenção do extremismo. Os dirigentes do AfD contestam estas classificações nos tribunais e exigem maior transparência quanto aos métodos utilizados.

O cerne do conflito reside menos nas opiniões em si do que nos meios empregues para as monitorizar. Os advogados do partido suspeitam da utilização de informadores dentro de certas redes activistas, particularmente as online. Em diversas ocasiões, os tribunais suspenderam ou atrasaram os processos, exigindo um exame mais rigoroso das condições em que a informação foi recolhida.

O caso alemão demonstra, portanto, como a vigilância política se pode tornar ambígua quando deixa de ser puramente passiva. Quanto mais próximo o observador se aproxima do objeto do seu estudo, maior é o risco de alterar a sua trajetória.

O paralelo com o caso americano torna-se, então, particularmente elucidativo. Num caso, uma organização privada é acusada de ter financiado, financeira ou indirectamente, os próprios círculos que denunciava. No outro, um aparelho de Estado é suspeito de ter contribuído para produzir os comportamentos que apresenta como justificação para a sua vigilância.

A diferença é institucional, mas a lógica continua comparável. Em ambas as situações, o poder de rotular o extremismo acarreta um risco: o de se tornar, consciente ou inconscientemente, cúmplice do fenómeno que se afirma observar.

A economia política da denúncia

Nas democracias contemporâneas, existe um fenómeno raramente descrito com precisão: o aparecimento de um verdadeiro mercado de vigilância ideológica. Este mercado não produz bens materiais nem riqueza visível. Produz categorias, classificações, alertas e sinais de alarme. Prospera na capacidade de identificar ameaças, detectar excessos e estabelecer limites morais entre o que pode ser tolerado e o que deve ser denunciado.

Dentro deste sistema, certas organizações adquirem gradualmente uma função específica. Já não se limitam a observar a vida pública; tornam-se mediadoras entre a realidade e a sua perceção. Explicam quais os grupos preocupantes, quais os discursos que justificam vigilância e quais as ideias que devem ser mantidas à distância.

O seu papel pode parecer necessário em sociedades fragmentadas, onde o medo da radicalização ocupa um lugar cada vez mais proeminente. Contudo, esse poder possui uma característica singular: tende naturalmente à autojustificação.

Uma instituição encarregada de detectar o extremismo depende, em certa medida, da existência contínua desse extremismo. Quanto mais difuso parecer o perigo, mais essencial se torna a vigilância. Quanto mais omnipresente for percebida a ameaça, mais aqueles que afirmam monitorizá-la reforçam a sua legitimidade.

Este mecanismo não implica necessariamente uma intenção cínica. Corresponde a uma lógica estrutural. Toda a organização tende a preservar as condições que tornam necessária a sua missão. Uma burocracia consolida-se demonstrando a sua utilidade. Uma instituição moral fortalece-se lembrando continuamente as pessoas dos perigos que combate.

À medida que esta dinâmica se estabelece, ocorre uma mudança subtil. O perigo deixa de ser apenas um problema a resolver. Torna-se também uma condição de operação.

É aqui que surge uma questão mais profunda. Quando uma organização constrói a sua influência em torno da denúncia dos inimigos ideológicos, poderá manter uma completa neutralidade em relação à sua existência?

A questão não é teórica. Ela toca na própria natureza do poder contemporâneo.

Nas sociedades antigas, a autoridade era exercida principalmente através da lei, da força ou da religião. As democracias modernas assistiram ao surgimento de uma outra forma de poder, mais difusa, mais flexível, baseada na capacidade de definir as categorias morais do debate público.

Nomear, classificar e rotular — estes actos carregam hoje um peso político considerável. Ser designado como “respeitável” ou “extremista” tem consequências concretas. Os media modificam a sua cobertura, as empresas ajustam as suas relações e as instituições reavaliam as suas parcerias.

Assim, forma-se uma economia particular, baseada não na produção material, mas na gestão da legitimidade.

Neste mundo, a denúncia torna-se um recurso. Atrai financiamento, estrutura redes e cria posições de autoridade. Quanto mais uma organização se mostrar capaz de identificar ameaças invisíveis, mais valor simbólico adquire.

O perigo reside, portanto, menos na existência destas instituições do que na falta de mecanismos de controlo e equilíbrio. Quando uma organização se torna suficientemente influente para definir os limites do discurso aceitável, deixa de ser uma mera observadora. Ela torna-se um actor no próprio conflito que descreve.

Este desenvolvimento merece ser examinado criticamente. Pois uma sociedade que delega o poder de designar inimigos legítimos a algumas estruturas privadas ou administrativas corre o risco de transformar a vigilância num monopólio moral.

Uma lição para a Europa

O caso do SPLC vai muito para além do contexto americano. Actua como um catalisador para uma mudança mais profunda, que afecta agora todo o mundo euro-americano. Uma organização nascida de uma luta inicialmente legítima pode, com o tempo, adquirir tanta autoridade que deixa de ser apenas mais um actor e passa a ser uma força estruturante no debate público.

A Europa está a vivenciar mecanismos comparáveis. A proliferação de observatórios, fundações, órgãos de monitorização e mecanismos administrativos dedicados a rastrear o discurso faz parte do mesmo movimento. À medida que a noção de extremismo se alarga, o poder de definir e classificar torna-se central. Já não se trata simplesmente de reprimir actos, mas de identificar intenções, categorizar sensibilidades políticas e estabelecer uma hierarquia de formas de legitimidade ideológica.

Este fenómeno acompanha uma transformação mais ampla das democracias contemporâneas. A regulação moral está gradualmente a tornar-se um domínio autónomo, com os seus próprios especialistas, instituições, redes de influência e, por vezes, veículos de comunicação. O que antes era uma questão de debate adversarial tende a ser substituído por uma lógica de certificação moral.

Neste contexto, surge uma questão: quem controla aqueles que se dizem responsáveis ​​pela definição dos limites do discurso aceitável? Quem monitoriza as estruturas que distribuem rótulos de extremismo? E, sobretudo, o que acontece quando estas instituições adquirem influência suficiente para moldar a própria percepção da realidade?

A história política demonstra que os mecanismos de denúncia nunca permanecem marginais. Institucionalizam-se, permeiam as práticas administrativas, moldam os reflexos dos media e, por fim, produzem uma forma de normalidade intelectual. O seu poder nem sempre reside na coação explícita, mas na capacidade de tornar certas opiniões arriscadas, dispendiosas ou socialmente desqualificantes.

A nível europeu, esta evolução merece ser observada com lucidez. Em vários países, o Ministério do Interior tem recebido gradualmente uma função que vai para além da simples manutenção da ordem pública. Dissoluções administrativas, vigilância dirigida, amplas classificações de radicalização e mecanismos de denúncia fazem parte de uma lógica em que a segurança se entrelaça cada vez mais com a regulação ideológica.

Esta dinâmica não produziria efeitos duradouros sem o apoio implícito de outras instituições. Partes do poder judicial, certos departamentos governamentais e, por vezes, até segmentos da polícia parecem, para muitos observadores, estar integrados numa cultura política dominante, marcada em grande parte por sensibilidades de esquerda e de extrema-esquerda. Esta proximidade alimenta uma crescente sensação de desequilíbrio. Muitos acreditam que certas formas de radicalização beneficiam de uma relativa leniência, enquanto outras são sujeitas a uma vigilância e repressão desproporcionadas.

Esta suspeita, fundamentada ou não, importa menos do que as suas consequências. Porque quando uma democracia dá a impressão de que os seus instrumentos administrativos, judiciais ou policiais servem menos para arbitrar do que para dirigir a esfera política, mina a confiança cívica que constitui o seu fundamento mais precioso.

O caso do SPLC pode não representar simplesmente o questionamento de uma organização americana. Pode anunciar o início de uma investigação mais vasta sobre os mecanismos contemporâneos de controlo moral e sobre os poderes que, em nome da protecção democrática, tendem por vezes a restringir a verdadeira pluralidade de opiniões.

Qualquer democracia que afirme defender a liberdade de expressão deve, mais cedo ou mais tarde, aceitar a necessidade de examinar aqueles que, em nome do Bem, presumem definir os seus limites.

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vide nota de Dextra Vox sobre os acontecimentos relatados neste artigo.