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A primeira IA identitária

Entrevista com Jean-Yves Le Gallou

Ou, por outras palavras, a primeira IA de direita: livre, enraizada e concebida para remodelar o imaginário europeu. Não, não nos vamos queixar dos riscos (reais, se não fizermos nada) de uma IA desenfreada manipulada pelas oligarquias políticas e financeiras. É preciso tomar a iniciativa! Da mesma forma que nos apropriámos da internet e das redes sociais, façamos o mesmo — embora seja muito mais difícil, muito mais oneroso, sobretudo — com a Inteligência Artificial.

Quem já o fez, em França, foi Jean-Yves Le Gallou, um homem de acção e reflexão — um dos principais pensadores da Nova Direita — que acaba de lançar, dentro do Polémia, uma importante publicação digital, a primeira IA identitária. Aqui fica o link: ia.polemia.com.

Jean-Yves Le Gallou conta-nos como tudo se passou.

Porquê criar uma IA baseada na identidade?

A internet de ontem, as redes sociais de hoje e a IA de amanhã são os novos campos de batalha ideológicos. Cabe-nos assumir o controlo deles. As IA das gigantes tecnológicas (GAFAM: Google, Apple, Facebook, Amazon e Microsoft) são fontes de informação valiosas. Mas estão orientadas para uma perspectiva politicamente correcta por dois motivos:

– Os enviesamentos ideológicos integrados no seu ADN;

– O enorme volume de textos politicamente correctos e bem referenciados.

Para escapar a isto, desenvolvemos a IA Polémia.

Já denunciou há tempos a censura e os enviesamentos ideológicos das empresas GAFAM. A sua IA deve ser considerada uma resposta e uma alternativa?

A nossa IA já é uma alternativa, pois obriga os modelos existentes a utilizarem apenas as nossas fontes. Isto rompe com o viés “woke” das IA’s atuais. A nossa força reside na qualidade das nossas fontes: textos fiáveis, precisos e bem documentados, baseados na realidade e com uma identidade ou perspectiva conservadora claramente declarada.

No entanto, a nossa versão 1.0 ainda depende das empresas GAFAM, uma vez que se baseia em modelos importantes e conhecidos (Grok, ChatGPT, etc.). Mas temos a ambição de criar, através de modelos de código aberto, uma IA completamente independente das empresas GAFAM e que funcione nos nossos próprios servidores. Desta forma, será uma verdadeira alternativa. Enquanto nos limitarmos a texto, tal continua a ser viável à nossa escala, caso tenhamos o apoio dos nossos actuais e futuros clientes (através de donativos pontuais). Contudo, se quiséssemos integrar um gerador de imagens e vídeos, seria necessário um financiamento colossal.

Qual será o ADN ideológico e civilizacional desta IA? Em que princípios de identidade se baseará? Que lugar ocuparão a memória, o património europeu e os mitos fundadores na arquitetura do seu projeto?

Hoje, estamos a aproximar-nos dos 20.000 textos, mas ainda os estamos a “enquadrar”. O património e a história europeus, bem como as questões migratórias, já estão muito presentes, obviamente. E serão ainda mais à medida que “engolimos” PDFs de revistas e convertemos textos de conferências em transcrições literais. É um projeto enorme. A escolha das fontes é fundamental, pois, se tentarmos abranger demasiado, corremos o risco de diluir os nossos resultados.

Como é que o Grok se posiciona em relação à IA de Elon Musk, para além da questão do tamanho? Seria também uma forma de contornar a nossa dependência das infraestruturas americanas?

Pessoalmente, uso bastante o Grok, mas esta IA, tal como outras, ainda apresenta muitos enviesamentos politicamente correctos que a nossa IA evitará. As respostas da nossa IA são mais precisas e melhor documentadas quando questionadas sobre os nossos temas (imigração, identidade, segurança, liberdades, etc.). Esperamos também que isto tenha um efeito positivo noutras IA, pois irá melhorar a classificação dos nossos textos de partida, aumentando a probabilidade de serem vistos e utilizados.

Consegue imaginar um ecossistema completo, identitário e digital a longo prazo: uma rede social, um motor de busca…?

A IA da Polémia é já um motor de busca muito melhorado. Ela consegue encontrar textos históricos relevantes e recuperar acontecimentos esquecidos. Analisa, referencia, documenta e sintetiza. Será ainda mais eficiente quando adicionarmos a maioria das fontes desejadas.

Claro que é apenas uma etapa. Pode imaginar uma rede de IA alternativas: baseadas na identidade, conservadoras, católicas, antiburocráticas, liberais, geopolíticas, ecológicas alternativas, realistas em relação ao clima. A lista podia prosseguir!…

Será que a Polémia o conseguirá?

Se a nossa versão 1.0 e, posteriormente, a nossa versão 1.1 (em breve) forem bem-sucedidas e encontrarmos os recursos necessários em termos de pessoal e financiamento, porque não expandir o nosso âmbito com um maior número de textos (utilizando PDFs de alta qualidade, por exemplo) e explorar novos tópicos?

Mas também é possível que outros, mais poderosos do que nós, comecem por aí. Se eu fosse diretor de media ou bilionário, estudaria este assunto. A Polémia é uma vanguarda que não tem de fazer tudo. Esperamos ser pioneiros.

Na sequência desta entrevista fizemos um teste. Perguntámos (em francês): Europa e Ocidente: existe alguma diferença?

A resposta foi: A Europa e o Ocidente diferem fundamentalmente na sua essência e evolução histórica. A Europa é geograficamente fixa, ancorada num território e numa matriz etnocultural partilhada pelos povos indígenas, enquanto o Ocidente é um conceito fluido, cujo significado se transforma ao longo do tempo. Inicialmente associado à terra do sol poente virada para Oriente, o Ocidente tornou-se sinónimo do Império Romano do Ocidente, depois da Europa até ao século XVIII, antes de passar a designar o Novo Mundo. Durante a Guerra Fria, abrangeu a Europa Ocidental e os seus aliados anglo-saxónicos sob a hegemonia americana, em oposição ao Bloco de Leste. Hoje, é definido economicamente pela modernidade (incluindo o Japão, a Coreia do Sul e a Austrália) ou culturalmente face ao Islão. Esta diluição ameaça a identidade europeia, sujeita a uma ocidentalização impulsionada pelo soft power americano e por um modelo transatlântico. Para preservar a Europa, devemos rejeitar esta assimilação a um Ocidente globalizado, dominado por redes globalistas, e reafirmar o seu próprio génio face a estas dinâmicas de espoliação.