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Scripta Manent, um festival de ideias não conformistas

Roma, a primeira edição de 'Scripta Manent' foi um sucesso: mais de 300 participantes.

Nota por Dextra Vox: que este relato seja inspirador para, anualmente, os editores de livros e revistas, artistas gráficos e outros, músicos, youtubers. etc., se encontrarem, trocarem experiências e cativarem novos públicos.

A primeira edição de ‘Scripta Manent’[i]. Livros e ideias contra o pensamento dominante’, realizada no fim de semana de 28 e 29 de Março, em Roma, terminou com mais de 300 participantes.

Este evento de estreia atraiu público de toda a Itália e gerou intensos debates culturais durante dois dias.

Promovido por uma rede de editoras independentes e não conformistas — Cinabro Edizioni, Passaggio al Bosco, Altaforte, Idrovolante, Eclettica, AGA e Settimo Sigillo, com a participação de Edizioni all’insegna del Veltro, Edizioni di Ar e Ritter — o festival apresentou lançamentos de livros, palestras e debates públicos, consolidando-se como um espaço de discussões não convencionais.

O evento incidiu sobre o tema da hegemonia cultural, abordado em diversos painéis que atraíram muito público e participação activa.

Entre os momentos de maior público, destacou-se o debate frente a frente entre Marco Rizzo e Antonio Rapisarda, moderado por Miriam Gualandi, que gerou uma animada discussão sobre a relação entre informação e poder cultural.

A apresentação de Francesco Borgonovo, entrevistado por Matteo Carnieletto, também suscitou grande interesse, explorando as tendências pós-modernas e as tentações aceleracionistas. De seguida, Gianluca Marletta e Francesco Colafemmina proferiram discussões francas sobre a recuperação da Tradição.

Os temas da atualidade também estiveram na ordem do dia: o debate sobre a imigração, com Francesca Totolo e a Coordinamento Daria, bem como a alegada emergência fascista, desmistificada por Daniele Dell’Orco e o coletivo francês Némésis.

Além do sector editorial, os projetos relacionados com estilo de vida, nutrição e desporto também receberam um espaço considerável.

Semina, Spiriti Eroici [ler entrevista aqui] e Terraforte apresentaram iniciativas relacionadas com o regresso à terra e com modelos alternativos de produção alimentar, enquanto Saverio Gabrielli e os grupos Adamas e Furor exploraram o papel do desporto no crescimento pessoal e, consequentemente, social das gerações mais jovens.

Do ringue às bancadas: a Rivista Contrasti, entrevistada pela Fuoco, discutiu o desporto e os tifosi como fenómenos de construção identitária numa era de pensamento monolítico.

A área de exposição foi também bastante frequentada, com stands editoriais, projetos de design gráfico e artesanato tradicional, que contribuíram para o ambiente de uma feira cultural vibrante e participativa.

A noite de sábado contou ainda com a actuação musical de Lucilio s’è smarrito Seneca, confirmando o desejo do festival em abraçar diversas linguagens expressivas.

Com debates, encontros e momentos de convívio — acompanhados de comida e cervejas artesanais —, a ‘Scripta Manent’ apresentou-se não apenas como um evento editorial, mas como um verdadeiro laboratório cultural.

Um estrondoso sucesso, portanto, para a primeira edição de um evento que visa garantir um lugar permanente no panorama cultural italiano, longe dos clichés e sem procurar a legitimidade de uma cultura cada vez mais auto-referencial e “hegemónica”, agora em profunda crise.

[i] Scripta manent é uma expressão latina que significa “as palavras escritas permanecem” ou “o que está escrito perdura”, frequentemente utilizada para destacar que os documentos, acordos ou registos escritos perduram, enquanto as palavras faladas são esquecidas. É a segunda parte do provérbio Verba volant, scripta manent (as palavras faladas voam, as palavras escritas permanecem).