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“Projecto Global” (FP-25)

É aceitável que o contribuinte esteja a financiar um filme que branqueia o terrorismo?

Mais de 1,2 MILHÕES DE EUROS dos contribuintes para uma média de 6 pessoas por sessão e onde a receita conseguida cobre menos de 1% dos custos totais.

Os dados do filme “Projecto Global” (FP-25) são um murro no estômago de quem paga impostos. Uma das maiores produções de sempre em Portugal (orçamento de 5M€) está a ser um fiasco comercial absoluto:

  • 11 dias em cartaz e apenas 6.642 espectadores.
  • Passou de 49 salas para 16; para a semana quase desaparece.
  • Receita total: 44k € (nem 1% do orçamento).

Só entre ICA e RTP, foram injetados 1.200.000€

É aceitável que o contribuinte esteja a financiar um filme que branqueia o terrorismo? É aceitável que o cinema português continue a viver de costas voltadas para o público com orçamentos deste calibre, apenas para satisfazer os caprichos do seu realizador?

A ambiguidade ideológica parece ter-se transformado em fracasso de audiência. Partilho um excerto do artigo do Nuno Gonçalo Poças:

“Foi um caldeirão de cumplicidades cruéis que não prestigiou a democracia, a justiça, os tribunais, que promoveu mesmo a indecência de oferecer às vítimas o desprezo e à sociedade portuguesa o esquecimento e a dúvida. Durante anos, Otelo brilhava junto da opinião pública como um herói, sem qualquer adversativa, sem um “sim, mas…”. Hoje, porque tal insensatez já não é tolerada, ensaia-se a “ambiguidade moral”, experimenta-se o “contexto histórico”, sem uma expiação, sem um arrependimento, sem a decência de oferecer uma dignidade às vítimas ao mesmo tempo que se concede a dúvida aos terroristas. Durante anos, não existiu qualquer manifestação de repúdio vinda das esquerdas e das suas elites intelectuais para com o terrorismo de esquerda. O filme mantém essa posição – até Otelo fica praticamente fora do enredo. Não sendo eu crítico de cinema, não creio que seja de desprezar a relevância histórica e política do assunto que Projecto Global aborda. E o que o filme nos traz é, afinal, a cumplicidade por outros meios, sob o manto da “ambiguidade”.

* O autor é filho de Gaspar Castelo-Branco, Diretor Geral dos Serviços Prisionais, assassinado pelas FP-25 de Abril, a 15 de Fevereiro de 1986.

Entrevista a Manuel Castelo-Branco nos 25 anos sobre amnistia aos terroristas das FP25A. (2021)

Para saber mais sobre uma organização que, em democracia, assassinou cerca de 17 a 20 pessoas entre 1980 e 1987 em Portugal, incluindo agentes da autoridade, civis e um bebé, durante uma campanha de atentados a tiro e à bomba causando ainda vários feridos em centenas de acções violentas recomendamos a leitura do livro de Gonçalo Nuno Poças, Presos por um fio que narra de forma livre e documentada uma das páginas mais negras da história do Portugal recente. É o trabalho de investigação que vem resgatar do esquecimento colectivo a trágica tentativa de impor pela força das armas e do terror ao povo português um projecto político que ele explicita e reiteradamente rejeitara. Estudo histórico que conta pela primeira vez toda a verdade sobre as FP-25 de Abril, Presos Por Um Fio é também uma chamada de atenção para como uma outra vez na história…