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Cavalgar o tigre. Do anarquista de Direita à apolitia: orientações evolianas para uma época de dissolução

Cavalgar o tigre. Do anarquista de Direita à apolitia: orientações evolianas para uma época de dissolução

por Giuseppe Contarino

Numa entrevista¹ concedida à revista Ordine Nuovo, à pergunta sobre um possível incentivo ao niilismo, ao absentismo, à renúncia a toda e qualquer acção positiva no mundo actual, Julius Evola respondia de forma categórica: «Causou perplexidade a minha afirmação de que hoje não existe nenhum sistema político, nenhum alinhamento ou partido relevante pelo qual valha a pena empenhar-se até ao fim: que tudo o que existe deve ser negado. Mas esta negação e este não-empenhamento não derivam de não se terem princípios, mas precisamente de os ter; precisos, firmes e não susceptíveis de compromissos».

Desde os anos 60 — época da entrevista — até hoje, muitas coisas mudaram no cenário político, social e económico, não apenas nacional mas global, e, todavia, aquela resposta categórica, afiada como uma navalha, soa ainda mais actual do que nunca. As posições evocadas pelo entrevistador partem do texto, publicado alguns anos antes, intitulado Cavalgar o tigre²: uma obra fundamental no panorama do Evola «político», que não se limita a traçar meras especulações filosóficas, mas que, pelo contrário, indica «linhas de cume sobre as quais se manter», dirigidas especificamente àquele «tipo de homem diferenciado», «aquele que, como personalidade, é capaz de assumir uma atitude activa, em vez de passiva, perante tudo aquilo que nele é instintividade, paixão, impulso», «aquele que, pelo menos em parte, possui em si aquele princípio a que uma antiga filosofia chamou “o soberano interior”, o hegemonikon».

Partindo do niilismo europeu, da dissolução da moral, do ponto de chegada a que Nietzsche havia chegado, Evola vai muito mais longe: porque a vontade de potência, em si mesma, é informe, a menos que possua uma direcção interna, uma unidade essencial, uma dimensão de transcendência. «Uma linha de conduta», escreve, «que num regime de dissolução convém […] àquele que é o herdeiro do homem do mundo da Tradição, e nesse mundo mantém as suas raízes». Sem poupar críticas ao existencialismo (um beco sem saída) ou aos domínios do conhecimento, da arte e da música, é no domínio social que se encontram as referências mais interessantes: o Estado e os partidos, o casamento, a relação entre os sexos.

Assim, para quem vive numa sociedade à qual, contudo, sente não pertencer, não resta senão cavalgar o tigre, segundo o dito oriental segundo o qual aquele que sobe para as costas do animal não pode sofrer qualquer dano por parte dele, havendo mesmo a possibilidade de, uma vez cansada, a besta poder também ser domada. Não se trata, portanto, de virar as costas à realidade ao estilo de um anacoreta, na prática inútil e estéril: trata-se antes de uma posição interior que encontra a sua máxima expressão na apolitia³, isto é, na «distância interior irrevogável desta sociedade e dos seus “valores”; é não aceitar estar ligado a ela por qualquer vínculo espiritual ou moral», manifestando a revolta e a não-adesão a um mundo material, dessacralizado, já votado ao nada. O indivíduo delineado por Evola, que não sem razão será definido como anárquico de Direita, não é o rebelde por moda nem o anti tout-court, mas é aquele que pode dizer NÃO precisamente porque, apesar do caos à sua volta, sabe manter uma ordem interior.

Deste modo, trata-se de orientações existenciais destinadas a orientar não apenas o pensamento mas também a acção, a fim de evitar «naufrágios» e desvios, especialmente naqueles jovens que, naquela época, viviam o clima ardente da contestação. Trata-se, porém, também de um ensinamento a retomar e sobre o qual reflectir para os jovens de hoje que, de forma talvez não muito diferente da de ontem, vivem, ainda assim, uma época de dissolução, de falta de referências e de ocultação dos valores.

Notas

1 «A colloquio con Evola», em I testi di Ordine Nuovo, Edizioni di Ar, Pádua, 2001, pág. 122.

2 Julius Evola, Cavalcare la tigre, 1.ª ed. Vanni Scheiwiller, All’insegna del Pesce d’Oro, Milão, 1961; texto citado no artigo: VII ed., Edizioni Mediterranee, Roma, 2009.

3 Sobre este ponto, é interessante recordar o caderno de textos evolianos n.º 40 da Fondazione Julius Evola, Apolitia. Scritti sugli orientamenti esistenziali, 1934-1973, organizado por R. Paradisi, publicado pela Controcorrente, Nápoles, 2004.