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Estrasburgo: árvore de Natal sob vigilância após episódios de violência

Em Estrasburgo, os preparativos para o Natal decorrem num clima de tensão. Instalada na Segunda-feira, 26 de Outubro, na Praça Kléber, a tradicional árvore de 30 metros vai estar sob vigilância, na sequência de actos de violência ocorridos à margem das manifestações de 17 de Outubro. Para além da região da Alsácia, as árvores e os presépios trazem à tona uma questão recorrente: que espaço deve ser dado à herança cristã no meio público?

Um símbolo de Natal que precisa de ser protegido

Proveniente dos Vosges, a conífera de nove toneladas foi erguida perante os transeuntes, apesar das preocupações geradas por novas convocatórias para manifestações no dia 31 de Outubro. Duas semanas antes, montras foram partidas e estabelecimentos comerciais saqueados nas imediações da Praça Kléber.

“Vamos protegê-la e manteremos a atenção sobre ela”, garantiu Mathieu Cahn, primeiro vice-presidente da Câmara, citado pelo jornal Le Figaro. Segundo o periódico Dernières Nouvelles d’Alsace, a árvore será vigiada permanentemente. No entanto, até à data, não há relatos de nenhuma ameaça específica dirigida a ela.

A autarquia mantém esta tradição popular, que é o coração de um mercado de Natal capaz de atrair milhões de visitantes. A violência não deve comprometer uma celebração que junta residentes e turistas.

Presépios: entre controvérsias e actos de vandalismo

Outros municípios também defendem as suas decorações natalícias. Em Perpignan, após a anulação — com data prevista para Fevereiro de 2025 — de uma decisão que autorizava a instalação de um presépio no pátio da Câmara municipal, a administração municipal prevê expor, na via pública, três estátuas monumentais representando Jesus, Maria e José. A aquisição, que custou 120 mil euros, tem gerado críticas quer pelo seu valor, quer pelo seu significado simbólico, noticia o JDD.

O risco de actos de vandalismo não é apenas teórico. Em Novembro de 2025, o presépio do mercado de Natal de Amiens foi alvo de vandalismo. Em Janeiro de 2026, figuras do presépio foram também partidas numa igreja em Le Passage, perto de Agen.

Desde duas decisões de 9 de Novembro de 2016 que o Conselho de Estado regula a instalação temporária de presépios por entidades públicas, tendo em conta o seu carácter cultural, artístico ou festivo, o local escolhido e a ausência de proselitismo.

A laicidade impõe a neutralidade dos poderes públicos, não o apagamento da história. Num país profundamente marcado pela cultura cristã, proteger as árvores de Natal e os presépios — desde que respeitem a lei — significa também preservar um património comum.