por João Pereira dos Santos
A burca nas ruas é liberdade religiosa. Uma bênção católica numa escola é um escândalo!
Quem é, afinal, a Comissão da Liberdade Religiosa, que tanto se incomoda com uma bênção católica na inauguração de uma escola pública?
Não seria sério dizer que é uma repartição do PS. Pelo menos legalmente. Mas é presidida por Vera Jardim, antigo ministro socialista e figura histórica do partido.
Já me tinha cruzado com a verborreia de Vera Jardim quando este assumiu a defesa do Islão. Faltava a ofensiva contra as manifestações públicas do catolicismo para completar o cocktail da esquerda.
Nas nossas ruas, a burca ocultava integralmente o rosto das mulheres, transformando o espaço público numa afirmação ostensiva de uma interpretação do Islão. E logo apareceram os habituais defensores da tolerância, da diversidade e da liberdade religiosa.
Mas aparece um padre a abençoar uma escola e dispara o alarme do regime!
Uma bênção! Num país com quase nove séculos de história, profundamente marcado pelo cristianismo, uma simples bênção transforma-se num atentado à legalidade.
Portugal é um Estado não confessional, não um Estado obrigado a tratar o catolicismo como uma doença contagiosa. A separação entre o Estado e as igrejas não exige o apagamento da nossa história.
É legítimo discutir os limites jurídicos das cerimónias oficiais. O que é absurdo é transformar uma bênção num escândalo nacional, enquanto se invoca a liberdade religiosa para defender manifestações de fé muito mais ostensivas no espaço público.
Aparentemente, todas as religiões merecem tolerância. A católica é que tem de pedir desculpa por existir.
O problema de Portugal não é um padre abençoar uma escola. É uma certa elite que parece convencida de que respeitar todas as culturas exige começar por apagar a nossa.
