Um anarco-conservador escreve sobre os idiotas
Por Jorge Santos
O semanário Expresso perdeu o fulgor de outrora e já pouco se aprende a lê-lo. Porém, recentemente, na coluna ao lado do bolchevique Daniel Oliveira floresceu uma pena nova e acutilante de um anarco-conservador – diz ele, com o humor que o caracteriza – que mereceu a nossa atenção. O autor de quem falamos, Pedro Gomes Sanches resolveu compilar algumas dessas crónicas (e ainda umas quantas escritas no Observador) num livro «A Rendição ou a Ascensão dos Idiotas» dividido em 5 capítulos, ou fases, do colapso moral do Ocidente: a liberdade individual, a religião, os caprichos como identidade, a cultura e a polarização direita/esquerda. Possuidor de uma cultura clássica, de uma irreverência anglo-saxónica e de um fino humor, Gomes Sanches, observa o nosso mundo com clareza, contundência e através de uma lente que poe a nu os perigos e a hipocrisia da esquerda radical e deixa alguns avisos – de amigo – à direita.
Ficaram de fora alguns temas que estão na ordem do dia, como a imigração ou a demografia, a merecerem o olhar crítico do autor, quiçá, num segundo volume.
O Pedro Gomes Sanches que conhecemos das crónicas, e do comentário político da SIC, tenta fundir a liberdade individual com a preservação das estruturas orgânicas do Estado, e a importância das estruturas intermédias funcionarem, como a família, a igreja, as ong e as misericórdias. Em suma, possui visão de um mundo onde a liberdade não é o caos, mas sim o resultado de uma cultura de responsabilidade, propriedade e respeito pelas heranças. Estamos perante um genuíno anarco-conservador que estabelece as mais improváveis pontes. Deve ser por isso que é o subscritor de «A clareza que defendemos» com mais elogios entre os seguidores do Chega.
«A Rendição ou a Ascensão dos Idiotas», Pedro Gomes Sanches, Guerra e Paz, 2025.
