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Europa ou morte

O imperativo de Adriano Romualdi é mais actual que nunca

Sergio Filacchioni in Primato Nazionale
(12 de Agosto de 2025, assinalando o 52º aniversário da morte de Adriano Romualdi)

A realidade geopolítica grita-nos alto e bom som: ou criamos a Europa ou morremos… ou desaparecemos, ou o que quiserem.

As últimas declarações de Moscovo têm, na verdade, um significado que só um cego não consegue ver: desde Dmitry Medvedev, que chamou “euroimbecis” aos países da UE que apoiam a Ucrânia, até à porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Maria Zakharova, que rotulou a recente declaração conjunta de “folheto nazi”, a provocação é simultaneamente semântica e requintadamente política. Deslegitima a Europa como actor político e reafirma o seu papel subordinado em relação aos verdadeiros protagonistas do jogo global: os Estados Unidos e a Rússia, que mais uma vez tomam decisões “acima” de nós.

Romualdi e a necessidade da Europa

Para aqueles que estão familiarizados com o pensamento de Adriano Romualdi, que faleceu prematuramente a 12 de Agosto de 1973, estes acontecimentos não serão nem novos nem inesperados. Na viragem para as décadas de 1950 e 1960, enquanto a Guerra Fria retratava uma Europa dividida e impotente, dominada pelo acordo de Ialta, Romualdi procurou uma interpretação que respondesse precisamente à necessidade vital de existir como europeus, e não como produtos da máquina consumista americana ou da máquina burocrática soviética. Para ele, o nacionalismo do século XIX, embora movido por uma paixão romântica e irracionalista, era uma relíquia histórica que corre o risco de nos prejudicar: demasiado estreito para defender a soberania cultural e política de um continente inteiro, orientado de forma míope contra “os outros povos europeus” em vez de contra as forças que, a partir do exterior, procuravam dominá-los a todos. Para Romualdi, portanto, a alternativa era (e continua a ser) clara: ou um nacionalismo europeu, enraizado numa Tradição comum e capaz de integrar a diversidade cultural no contexto de uma Weltanschauung unificada, ou a cedência ao que chamou, com uma clareza desarmante, de “imperialismo russo-americano”. Não dois opostos irreconciliáveis, mas duas variantes do mesmo plano: destituir a Europa do seu papel histórico e transformá-la numa província de um império ou de outro.

O Problema da Europa

A situação actual parece confirmar estas intuições. Enquanto Moscovo faz a guerra e Washington nos trata como um apêndice atlântico insubordinado, ambos os centros de poder escondem, cada vez menos, o seu desprezo antieuropeu. O problema é que, ao contrário de há cinquenta anos, um segmento da opinião pública italiana, liderado por gurus soberanistas ou ex-comunistas, parece disposto a abençoar qualquer convergência russo-americana, desde que sirva para desferir um golpe em Bruxelas. As justificações abundam: mudanças de contexto, necessidades tácticas, considerações geopolíticas mesquinhas. O facto é que se trata de uma renúncia cultural, uma cedência em função da própria definição de si mesma. Nos últimos anos, pelo contrário, tornou-se moda argumentar que a Europa não existe, com base em truísmos históricos e linguísticos: nunca existiu uma entidade política que abrangesse todos os povos europeus e apenas eles (verdade); um búlgaro e um espanhol não se entendem. Mas estas observações, banais, mas de certa forma genuínas, não podem encerrar a discussão. A realidade é que vivemos uma estranha repetição: este debate foi resolvido filosoficamente há mais de um século. Nietzsche, Heidegger, Locchi, Romualdi — cada um à sua maneira — deixaram claro que a Europa é um problema, um desafio, uma tarefa. Não algo dado. Por isso, qualquer tentativa de a basear num conservadorismo estagnado ou numa tradição linear está condenada ao fracasso.

Romualdi e a mentalidade europeia

Simultaneamente, estudiosos como Rougier, Hunke, Dumézil, Faye e Venner demonstraram a existência de uma “mentalidade” europeia: um inconsciente colectivo reconhecível, expresso sob formas sempre mutáveis, porém distintas, inconfundível com outras civilizações. É esta dimensão profunda que Romualdi, num dos seus ensaios mais influentes, ligou à tradição indo-europeia, desde a espiritualidade védica e persa até à Heliade e Roma, passando pelo ciclo medieval e germânico. Um fio condutor, corporizado na concepção metafísica da ordem — a rta védica, o kosmos grego, a ratio romana, o orlog germânico — como uma harmonia que une os mundos humano e divino. Nesta visão, a Europa não é um património museológico, mas um princípio activo: uma energia capaz de mover povos, gerar impérios, inspirar sacrifícios e milícias. Esta ideia de uma «mentalidade» europeia — um inconsciente ainda vivo sob uma autoconsciência distorcida — ilumina os acontecimentos actuais. O vazio cultural de um continente incapaz de se reconhecer como sujeito, preferindo confiar na tutela de potências externas, é um sintoma da ruptura entre o que a Europa é na sua essência e o que pensa ser superficialmente. Um segmento da direita parece ter abandonado a ideia de colmatar esta lacuna, contentando-se em apoiar combinações geopolíticas russo-americanas, talvez em nome de uma vingança simbólica contra Bruxelas, mas sempre à custa de permanecer subserviente.

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