João Martins
O assassinato de Charlie Kirk não é apenas a tragédia pessoal de uma família ou de um movimento político. É um marco que expõe, de forma crua, aquilo que muitos fingem não ver: a esquerda, radical ou não, que emprega palavras como “humanismo”, “tolerância”, “respeito” e “liberdade”, é precisamente quem mais persegue, quem mais silencia, quem mais ódio destila contra aqueles que ousam discordar da sua narrativa.
Sejamos claros. Não há como suavizar o que se passa. O jogo da esquerda é hipócrita. Eles criaram uma novilíngua, tal como Orwell descreveu na sua obra 1984. Quando os esquerdistas enchem as bocarras cariadas e fétidas com vocábulos sobre a liberdade de expressão ou o pluralismo de ideias, fazem-no apenas para se colocarem no alto pedestal da moral. São meros artifícios retóricos, um repertório ritualizado. “Fascista”, “racista”, “discurso do ódio”, “negacionista”; estas palavras funcionam como etiquetas cujo poder não visa apenas descrever, mas sim silenciar, ou mesmo deslegitimar socialmente quem não comungue com o pensamento dominante. São armas morais para silenciar a direita, para isolar as vozes incómodas, para transformar cidadãos comuns em monstros sociais. É a velha técnica comunista, reciclada.
Enquanto dizem ser necessário “combater o ódio”, praticam-no descaradamente. Falam de justiça social, mas é-lhes inerente o ódio de classe. Falam de humanidade, mas promovem a cultura da morte do aborto e das drogas. Falam de racismo e discriminação, mas apelam à “morte do homem branco”. Falam de tolerância, mas pretendem nulificar quem pensa de forma distinta. Justificam agressões, tentativas de assassinato, cancelamentos públicos, perseguições profissionais. Criaram uma atmosfera onde a eliminação simbólica do adversário se torna a antecâmara da sua eliminação física. Charlie Kirk foi vítima de uma cultura que primeiramente o tentou calar, depois demonizou-o, até que, finalmente, abriu espaço para que um lunático puxasse o gatilho.
No caso de Charlie Kirk, o autor material do crime portava, gravadas na arma, expressões que espelham exactamente esse tipo de narrativa: a ideia de que existe alguém merecedor de eliminação física, porque representa um “mal”, uma ideologia diabólica, um fascismo iminente. A fronteira entre o rótulo e a violência material deixa de ser abstracta. O rótulo prepara o terreno, o discurso incita ou justifica, e a violência concreta consuma o acto.
Encontramos ecos disto em várias partes do mundo. Nas tentativas de assassinato ou em agressões físicas a figuras públicas, como foram os casos que envolveram Trump ou Bolsonaro. Além de quem actua, há também quem ofereça legitimidade moral ou política às agressões. São os discursos inflamados, as narrativas de que “é preciso derrotar o fascismo”, “expulsar os intolerantes”, “abater as vozes do ódio”, discursos que, ao banalizarem a violência verbal, criam uma atmosfera de beligerância, em que a contestação não é só intelectual, mas vista como guerra. Há autores materiais, aqueles que disparam, que matam, mas também há os autores morais, aqueles que alimentam narrativas, incentivam o conflito, transformam opinião divergente em inimigo a ser eliminado, física ou simbolicamente. Esses são os intelectuais que romantizam a violência contra “fascistas”. São os jornalistas que repetem até à exaustão que qualquer pessoa de direita é uma inimiga da democracia. São os políticos que incitam ao linchamento social de quem discorda. Todos eles carregam parte da responsabilidade.

Em Portugal, para citar um exemplo, encontra-se em cena uma peça de teatro intitulada “Catarina, a beleza de matar fascistas”. O título por si já revela muito: “beleza”, “matar”, “fascistas”, uma combinação que glorifica a violência contra aqueles que são rotulados fascistas. Tal como no caso da arma do assassino de Charlie Kirk, onde esse exortava à eliminação daqueles que considerava fascistas, essa ignóbil peça reflecte uma cultura simbólica que normaliza o ódio, a agressão, a eliminação como estética.
É importante notar que essa estratégia de rótulos — “fascista”, “ódio”, “discursos intolerantes”, “extremismo de direita” — não é nova. Foi usada historicamente pelos regimes comunistas para desumanizar os opositores, para justificar as prisões, a repressão, os assassinatos. A diferença é que, presentemente, esta retórica camufla-se com vestes democráticas, progressistas. Alain de Benoist constata que aqueles reiteradamente falam de direitos humanos “isentam-se necessariamente da crítica, isto é, do direito de os questionar – e, ao mesmo tempo, colocam implicitamente os seus opositores fora da humanidade, uma vez que não se pode atacar aqueles que falam em nome da humanidade sem se deixar de ser humano”.
Esta cultura simbólica, que advoga a “cura social” por meio da eliminação do outro, abriga tanto os que carregam armas como os que usam as palavras. Os autores morais ou políticos não disparam fisicamente, mas quando sugerem que aqueles cujas ideias “incomodam” não merecem diálogo, que devem ser isolados, demonizados, expulsos, feridos verbalmente, colocam a semente do que pode tornar-se violência concreta. E, de facto, esse semeio produz frutos: agressões físicas, assassinatos, atentados.
A responsabilidade é de quem mata, sim, mas também de quem está disposto a tolerar a intolerância quando praticada pelos seus aliados, ou a silenciar a sua nova face quando ela lhe convém. A hipocrisia existe quando alguém condena o discurso de ódio, mas aplaude a agressividade retórica, demonizando o adversário ideológico como “inimigo interno”, como “fascista”, como “ameaça à democracia”.
Por uma contra-ofensiva da direita
O assassinato de Charlie Kirk é um exemplo de que a violência política, fomentada por uma retórica de ódio travestida de humanismo, não se esgota nos actos de indivíduos isolados. Ela nasce, como já vimos, num caldo cultural em que o esquerdista, esse ângulo raso da política, se sente legitimado para rotular, calar e, em última instância, eliminar quem pensa de forma diferente. É nesta atmosfera que a direita tem vivido, demasiadas vezes, como saco de boxe permanente.
Mas basta! A direita não pode aceitar viver eternamente amedrontada com os epítetos de “fascista”, “racista” ou “extremista”. Esses rótulos não descrevem a realidade; são armas políticas. Servem para paralisar, para impor culpa, para calar. E têm sido usados com sucesso porque a direita se encolhe, prefere evitar o confronto, receia ser mal interpretada. Chegou o tempo de romper esse ciclo e passar à ofensiva.
Esta contra-ofensiva não significa abdicar dos princípios que nos diferenciam daqueles que recorrem à violência. Significa, pelo contrário, exercê-los em plenitude. Significa afirmar com clareza que não temos medo da esquerda, da sua retórica corrosiva, da sua violência simbólica ou física. A verdade não se encolhe perante a mentira, e a liberdade não se esconde face ao ódio.
Chegou a hora de uma direita combativa, sem medo dos rótulos. Quando nos chamarem “fascistas”, a resposta não pode ser a vergonha: tem de ser o riso e a firmeza. Quando tentarem censurar, a resposta não pode ser o recuo: tem de ser a reafirmação. Quando agredirem, mesmo que com palavras, a resposta não pode ser a submissão: tem de ser a coragem de enfrentar.
A direita não tem de pedir desculpa por existir, nem por defender os valores da pátria e da família, da tradição e da ordem, da liberdade e da responsabilidade. Pelo contrário: tem de assumir-se como alternativa clara ao delírio ideológico da esquerda, que, em nome de uma falsa liberdade, semeia o medo, o ódio e a violência.
Não há mais espaço para intimidações. Não há mais espaço para encolher os ombros. A contra-ofensiva começa agora. E será cultural, social e política. É tempo de reocupar as universidades, os palcos, os jornais, as redes sociais. É tempo de desmontar, sem hesitação, as falácias da novilíngua. É tempo de mostrar que há uma alternativa viva e destemida, que já não aceita ser silenciada.
Charlie Kirk foi abatido por uma bala, mas o que a esquerda não percebeu é que, ao fazê-lo, despertou uma geração inteira. Uma direita que não vai tolerar mais o insulto, o rótulo, a ameaça. Uma direita que não se resigna.
E quando essa direita se erguer — e já começou a erguer-se — os que se julgavam hegemónicos irão descobrir o que desencadearam.
