No dia em que os espanhóis celebravam a vitória da sua selecção, os jovens que envergavam as cores de Espanha foram atacados ou insultados no País Basco e em Navarra. Os vídeos que circulam nas redes mostram a violência que tem caracterizado, ao longo de várias décadas, a esquerda abertzale. Tal levou-nos a ver o documentário, que estreou estes mês, na Netflix Miguel Ángel Blanco: As 48 Horas Que Mudaram Espanha, que relata como o rapto do jovem autarca do PP, em 1997, transformou o medo em resistência colectiva e moldou a luta contra o terrorismo da ETA em Espanha.
O documentário mostra como toda a Espanha se solidarizou e comoveu perante o destino trágico do jovem de 29 anos que foi raptado e assassinado com dois tiros na nuca pelos etarras. Um terceiro «tiro» foi disparado nos pés da própria ETA – e do seu braço político Herri Batasuna (HB) – que abandonou a luta armada em 2011 e se dissolveu em 2018, com mais de 800 mortos no cadastro. Mesmo após a sua morte, Miguel Ángel Blanco não descansou em paz, tantas foram as vezes que a sua campa foi destruída ou grafitada, obrigando a família a levar o corpo para a Galiza.

São estes filhos e netos das bestas etarras que agora perseguem os espanhóis e se agregam em torno do sucessor de HB, EH Bildu, partido que apoia Sanchéz no parlamento.
Site da Fundación Miguel Ángel Blanco.
