Forjar o renascimento imperial da Europa
por Gabriele Adinolfi in Les Lansquenets
A Europa não é apenas o berço da civilização; ela é a própria civilização. Como tal, assumiu diversas formas históricas e geográficas.
Ela chama-nos a procurar o progresso, a abraçar princípios heróicos e, ao mesmo tempo, a afirmar o amor. Da Europa emergiram as ideias de cidade-estado, estado-nação e império. Ela santificou o espaço através da arquitetura e até da ars amandi. Procurou respostas nos céus através da religião e da filosofia.
Hoje, a Europa enfrenta ameaças internas e externas: a nível interno, o declínio demográfico e a deterioração das suas classes dominantes; Externamente, a Europa enfrenta a pressão de rivais e adversários como os Estados Unidos, a Rússia e a China.
As principais preocupações dos seus povos variam de acordo com a geografia e os adversários históricos mais próximos. Falamos muitas línguas – mas o mesmo acontece com a China, onde se falam mais de trezentas, e com a Índia, onde se falam quase vinte mil. A diversidade linguística é, portanto, um falso problema. Da mesma forma, as diferenças de perspetiva moldadas pela geografia são secundárias. Tanto a China como os Estados Unidos precisam de conciliar continuamente pelo menos três regiões poderosas com interesses divergentes.
Sob a pressão de desafios abertos e velados, a Europa emergirá, em última análise, como uma potência. O que importa é que esta potência não seja apenas unida, mas unida na diversidade – capaz de articular as suas muitas vozes e necessidades. Deve ter um alcance imperial, sem deixar de ser uma Europa de nações, regiões, tradições e povos.
Por esta razão, o diálogo contínuo entre nós é essencial, para que o particular não seja sacrificado ao universal, nem o universal ao particular.
Juntos, devemos – e juntos, podemos!
