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Ensaio, ficção e revista de Jaime Nogueira Pinto – Propostas de leitura de férias

Ensaio, ficção e revista de Jaime Nogueira Pinto – Propostas de leitura de férias

Valores Europeus, uma longa história [Dom Quixote, 2026, 416 págs.]

Jaime Nogueira Pinto, um dos mais influentes ensaístas portugueses sobre história política, ideias e regimes do século XX, revisita aqui três milénios de percurso europeu para responder a uma pergunta: o que são os hoje tão invocados valores europeus?

Da mitologia de Europa e Ulisses à República Romana; da Cristandade medieval ao concerto europeu; de Maquiavel, More e Cervantes a Shakespeare e Camões; da Revolução Inglesa e Francesa ao socialismo, comunismo, fascismo e às ditaduras ibéricas; da Guerra Fria às actuais batalhas entre soberanistas e globalistas, populistas e tecnocratas, o autor segue o fio das continuidades e rupturas que moldaram o Ocidente, marcado pela tensão entre fé, pertença e liberdade individual.

Entre Homero e a Comissão Europeia, Valores Europeus mostra como se foram construindo – e hoje se procuram reescrever – as referências que fizeram da Europa um espaço único: leis e interditos, memória e tradição, comunidades e instituições, liberdade, Estado de direito, nação, direitos fundamentais, mas também razão de Estado, império, terror revolucionário e engenharia social.

Invocar valores europeus é tomar partido num conflito em aberto. Este livro obriga o leitor a saber de que lado está.

Novembro [Dom Quixote, 2024, 640 págs. (1ª edição 2012)]

O romance de culto de uma geração

O que faz correr Eduardo Pinto de Vasconcellos para a sede semi-clandestina de uma organização nacionalista nas vésperas de exames decisivos? E que sombras carrega o seu pai, Henrique, ex-voluntário na Guerra de Espanha e banqueiro internacional? O que move Alexandre, intelectual, romântico, tímido e revolucionário? No Verão de 1973, a História está a preparar-se para tomar conta das histórias destes homens e das mulheres que amam, levando-os por Lisboa, Madrid e Luanda na torrente da conspiração, da revolução e da contra-revolução, até ao Inverno de 1975.

Os heróis de Novembro agem, lutam e amam sabendo, à partida, que a sua empresa é necessária mas em grande parte fútil. Vivem a história de uma outra geração de 68, que também tinha 20 anos no 25 de Abril. Novembro não é um livro de História, é um romance que se lê como um romance, um xadrez de personagens, lugares, paixões, segredos, intrigas. É também a memória de um Portugal desaparecido. Em Novembro tudo acaba: o Império, a Revolução, e os sonhos dos que, dos dois lados, não ficaram no meio e deram tudo por tudo.

Crítica XXI, nº 15, Primavera 2026
  • Este número 15 da Crítica XXI, referente à Primavera de 2026, abre com um artigo de Jaime Nogueira Pinto, “Os Iliberais de há 100 anos”, que historia a vaga de movimentos e regimes iliberais que, nos anos vinte, surgiram na Europa em resposta à crise do parlamentarismo liberal e à ameaça comunista. Nele sublinha a importância de distinguir estes autoritarismos nacionais-conservadores do fascismo italiano e do nacional-socialismo alemão.
  • Também numa linha de História do pensamento e dos movimentos políticos, Miguel Morgado, em “O Fascismo nasceu na Sabóia? O pensamento político de Joseph de Maistre”, argumentando contra Isaiah Berlin, que aponta De Maistre como “fascista”, esclarece a diferença abissal entre o anti-liberalismo e anti-democratismo de  Joseph de Maistre, – um católico contra-revolucionário e tradicionalista – e o pensamento e instituições do Fascismo, ideologia e movimento que pertence à chamada “direita revolucionária”.
  • Tu que fumas” é um ensaio de Carlos Maria Bobone que, a propósito do “vício” do tabaco e da sua interdição e condenações globais, faz uma reflexão sobre as sociedades contemporâneas e a determinação ético-legal, dos seus interditos e das suas liberdades.
  • Em “Preste João das Índias — Entre a profecia e a geopolítica”, José Cortez de Lobão ocupa-se da resenha histórica e literária de um velho mito cristão europeu – o Preste João – muito familiar às narrativas da expansão portuguesa. Vinda das profundas da Idade Média, a narrativa sobre um Reino de um Rei cristão no Oriente, que resistira às forças do Islão e queria aliar-se com a Europa cristã contra os muçulmanos, é muito comum na história da Expansão Portuguesa. Nos tempos de D. João II e D. Manuel I, os extraordinários viajantes e nossos compatriotas, Afonso de Paiva e Pêro da Covilhã, para lá viajaram. E Covilhã lá ficou e morreu na corte da Etiópia.
  • Em “Churchill e os Socialismos”, Nuno Sanches de Baena Ennes aborda a figura de Winston Churchill na perspectiva dos seus anos de formação política e no papel que o confronto com “os socialismos” acabou por ter na formação dos seus valores de conservadorismo liberal. Foi na Índia, no seu serviço militar como jovem oficial, que Churchill se entusiasmou e dedicou à leitura e à cultura, desde a Origem das Espéciesde Darwin que o familiarizou e entusiasmou pelo “darwinismo social”, até ao clássico inglês de Gibbon da História de Roma e da Decadência do Império Romano. Depois veio a paixão pela História de Inglaterra e a descoberta da harmonia do “mistério britânico”, a harmonia entre Tradição e Modernidade.
  • No centenário do 28 de Maio, evocando a revolução militar de há um século (piedosa e intencionalmente esquecida no presente), Rui Ramos parte em “A Revolução do 28 de Maio de 1926 e as origens do Salazarismo” para uma análise do papel dos militares na origem e vigência do Estado Novo. E conclui que o sucesso da revolução de Maio esteve, paradoxalmente, no papel central dos militares na formação e no apoio ao Estado Novo e em se terem afastado do exercício directo do poder. Mas também em se terem mantido como os garantes – unidos e na sombra. E quando deixaram de o apoiar, o regime caiu.
  • Na habitual secção final de “Notas Críticas”, Eurico de Barros e Jaime Nogueira Pinto fazem a crítica de dois filmes políticos recentes: Projecto Globalde Ivo M. Ferreira, sobre o terrorismo das FP-25 de Abril, e Lavagante, de Mário Barroso. O primeiro é uma obra política e moralmente ambígua sobre um grupo terrorista de extrema-esquerda, que existiu, contra a ideia de que só há terroristas na extrema-direita. Lavaganteé uma história mais composta sobre o Estado Novo, com Pides “feios, porcos e maus” e oposicionistas esclarecidos e bondosos.
  • Miguel Freitas da Costa faz uma recensão crítica ao livro de José Luís Andrade, Breve História do 28 de Maio e da Ditadura Militar, uma obra de síntese, muito interessante e importante no centenário do movimento militar.
  • A finalizar, mais uma recensão de Eurico de Barros, Fanfulla, de Hugo Pratt e Mino Milani) e outra de Miguel Freitas da Costa, Um Português na China, de André Macedo.
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