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Ruben Venceslau: o algoritmo do pensamento livre

Entrevista por Filipe Carvalho

Entre o absoluto facilitismo intelectual em que as redes sociais se transformaram; e repletas de enfadonhos dogmas inquestionáveis, o perfil de Ruben Venceslau surge como um autêntico oásis de lucidez e correcção analítica. Sob a capa irreverente de um (des)influencer, Ruben recusa o papel de mero espectador da decadência contemporânea, assumindo-se antes como um pensador livre — um free thinker — que ousa perscrutar a complexidade do mundo sem o filtro hipócrita do politicamente correcto.

Longe de se remeter à passividade dos algoritmos, o seu conteúdo em formato de Reels é um serviço público de desconstrução narrativa. Seja a destrinçar os complexos equilíbrios da geopolítica mundial, seja a alertar para os factores de erosão da identidade e soberania das nações, Ruben Venceslau alia o pragmatismo da juventude a uma invulgar capacidade de síntese. O seu canal não visa a pacificação das massas, mas sim o despertar de uma consciência crítica há muito adormecida pela propaganda oficial. É a voz necessária daqueles que recusam aceitar respostas fáceis para problemas profundos.

No vídeo onde abordas a premissa “Como destruir um país”, entras directamente no campo da sociologia política. Se tivesses de elencar os três principais factores de erosão interna que hoje ameaçam as democracias europeias e, em particular, Portugal, quais seriam?

Quando olho para a sociedade ocidental com um olhar de quem saiu da ilha para poder observar a ilha, vejo que não existem necessariamente três factores, no sentido de que não existem três coisas distintas.

Existem, sim, dezenas de factores, mas todos dentro de um único factor: o comunismo global.

O comunismo global é o cancro da liberdade do indivíduo no mundo ocidental.

Mas o que é isto de “comunismo global”?

É a evolução do comunismo soviético (política) para um código moral marxista (humanismo).

Não é algo meramente político no sentido de “tirar dos ricos para dar aos pobres”.

É o marxismo implantado no código moral duma sociedade inteira de forma a destruir valores morais religiosos que impedem que uma população inteira seja subjugada por uma pequena elite.

Em vez de tentar controlar, à força, um povo que vai naturalmente resistir a esse controlo devido aos seus valores morais, remove-se o atrito alterando o código moral.

Exemplo: um cristão dirá: “De acordo com os meus valores morais, não acho eticamente correcto cobrar um absurdo de imposto a um indivíduo; ele conquistou o que tem devido ao seu esforço, ele merece manter aquilo pelo qual batalhou.” Porquê? Porque esse imposto representa uma injustiça para com o indivíduo.

Um marxista dirá: “Acho bem que cobrem impostos, e deviam de cobrar mais aos ricos.” E porquê? “Porque não é justo uns terem tanto e outros tão pouco.”

Neste cenário, que tipo de moralismo é mais benéfico para as pessoas em controlo dum país?

A resposta é óbvia, e é por isso que vemos uma decadência moral “esquerdista” no Ocidente, porque esta alteração no código moral dos indivíduos é um plano lento e geracional que está há décadas em andamento, e está apenas no início.

Há quem fale em globalização, e estão certos. Mas o factor mais importante da globalização é implantar o marxismo como o novo código moral da sociedade.

Actualmente já é politicamente correcto. Daqui a 40 anos será moralmente obrigatório.

O Nacional-Socialismo (Nazismo) é frequentemente utilizado no debate público moderno como o “insulto supremo” para silenciar qualquer pensamento à direita do centro político. Nos teus vídeos, quando analisas este período histórico ou a forma como ele é instrumentalizado actualmente, qual é a tua leitura crítica? Consideras que a banalização do termo “nazi” por parte da esquerda cultural serve para interditar debates legítimos sobre nacionalismo, imigração e identidade?

Chamar alguém de “nazi” tornou-se, hoje em dia, uma forma muito eficaz de acabar com uma discussão sem ter de responder aos argumentos apresentados.

Na maioria dos casos, quem usa essa palavra não está realmente a dizer que a outra pessoa defende o nacional-socialismo. Está apenas a usar o pior rótulo que conhece.

Desde pequenos, fomos ensinados a associar a palavra “nazi” ao mal absoluto, à crueldade e à desumanidade. Por isso, quando alguém quer apresentar outra pessoa como moralmente inaceitável, muitas vezes recorre a esse termo.

No fundo, a mensagem não é “tu és nazi”. A mensagem é: “Tu és uma pessoa horrível e não mereces ser ouvido.”

O problema é que esta forma de pensar tem consequências. Quando qualquer expressão de nacionalismo, patriotismo ou identidade cultural é imediatamente associada ao nazismo, muitas pessoas deixam de falar abertamente sobre esses temas. Não porque tenham mudado de opinião, mas porque não querem ser associadas a algo que toda a sociedade vê como monstruoso.

Ninguém quer ser visto como um monstro. E quando certas ideias são constantemente ligadas a essa imagem, torna-se cada vez mais difícil discuti-las de forma livre e honesta.

Quanto à Segunda Guerra Mundial, há uma questão que raramente é colocada.

Muitas pessoas acreditam que aquilo que aprendem sobre esse período é simplesmente História. Mas será mesmo assim?

Vivemos num mundo onde os governos guardam segredos, escondem documentos durante décadas e tomam decisões que só se tornam conhecidas muitos anos mais tarde. Se isso acontece hoje, porque devemos assumir que conhecemos todos os detalhes dos grandes acontecimentos do passado?

Quem acredita que, daqui a cem anos, as pessoas vão conhecer toda a verdade sobre o período em que vivemos actualmente?

Provavelmente não vão. Haverá documentos ainda secretos, interesses escondidos e informações que só serão reveladas muito mais tarde.

Por isso, talvez faça sentido admitir que também não sabemos tudo sobre os grandes acontecimentos do século XX.

O massacre de Katyn é um exemplo conhecido. Durante muitos anos, a responsabilidade foi atribuída aos alemães. Só depois da queda da União Soviética é que documentos secretos vieram a público e mostraram uma versão diferente dos acontecimentos.

Casos como este lembram-nos de algo importante: aquilo que uma geração aceita como verdade histórica pode ser revisto quando surgem novas informações.

Isto não significa que toda a História esteja errada. Significa apenas que a História não é algo fechado e definitivo. É um processo contínuo de descoberta, investigação e revisão.

Por isso, talvez a melhor atitude seja manter algum espírito crítico. Não rejeitar tudo o que nos é ensinado, mas também não assumir que já sabemos toda a verdade.

A História é feita com a informação disponível em cada época. E ninguém pode garantir que toda a informação já esteja em cima da mesa.

Num dos teus frames, surge em destaque a palavra “massas” junto a análises de cariz patriótico. Filósofos como Ortega y Gasset teorizaram sobre “A Rebelião das Massas” e a perda do indivíduo na multidão uniforme. Quando analisas fenómenos internacionais — como as proibições de cariz identitário no Reino Unido —, qual é a tua leitura sobre o papel do cidadão comum? Julgas que as massas modernas estão a ser programadas para abdicar da sua identidade cultural em troca de um consumismo globalizado e homogéneo?

Sim, o indivíduo está sem dúvida a tornar-se, lentamente, num número.

Isto entra também dentro da teoria do “comunismo global” ou “globalização”, como a maior parte das pessoas lhe chama.

É extremamente necessário, para quem quer construir uma sociedade de controlo absoluto, que o indivíduo deixe de se sentir uma entidade individual e passe a considerar-se como uma peça de um conjunto.

E todas as proibições de demonstração de patriotismo e a constante desprestigiiaçâo do individualismo são essenciais para transformar as pessoas em números consumidores que se limitam a seguir ordens e a não fazer perguntas.

É a primeira fase: remover o atrito.

É eliminar qualquer hábito do indivíduo que o torne pouco obediente e complacente ao “rumo natural da sociedade”.

Estamos lentamente a caminhar para um mundo de supervigilância, controlo absoluto, moralismo marxista e consumismo crónico.

A única solução é aceitar nadar contra a corrente.

Isto não significa necessariamente rejeitar tudo o que é moderno ou tecnológico, mas sim perceber como pequenas mudanças de comportamento e de mentalidade podem ter efeitos profundos ao longo do tempo. Muitas vezes, a perda de individualidade não acontece de forma brusca, mas sim através de hábitos diários que parecem inofensivos: a dependência constante de aprovação social, a necessidade de validação externa e a tendência para seguir automaticamente aquilo que é mais popular ou mais aceite.

Quando o indivíduo deixa de confiar no seu próprio julgamento e passa a depender quase totalmente de sistemas externos para definir o que é certo ou errado, acaba por perder uma parte essencial da sua autonomia.

E essa perda não é facilmente reversível, porque quanto mais alguém se adapta a ser apenas mais um elemento dentro de um sistema, mais difícil se torna imaginar uma forma de existir fora dele.

​Para concluir esta entrevista, o Rúben, de 26 anos, partilhou gentilmente connosco a génese do seu percurso e a motivação pessoal que o trouxe até ao pensamento crítico e independente que hoje defende. O Ruben Venceslau é um exemplo claro da importância do “papel” do professor na formação de indivíduos. Há uns anos, houve um audaz professor que lhe disse:

«”Questiona tudo, mesmo aquilo que eu te digo, questiona; conhecimento é poder.” Isso ficou comigo durante anos, porque de alguma forma eu sempre soube que ele tinha razão, mas a pressão social para me enquadrar no politicamente correcto não me permitia fazer perguntas desconfortáveis. Ele foi a voz de apoio de que eu precisava para finalmente ser eu próprio e fazer o que acho que está certo. Aliando isso a um interesse genuíno por História desde criança, foi a receita perfeita para começar a questionar coisas que são off-limits.»

As redes de Ruben Venceslau:

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