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Ao aliar-se aos progressistas, a Igreja contribui directamente para a destruição da civilização europeia

Ao aliar-se aos progressistas, a Igreja contribui directamente para a destruição da civilização europeia

Ao querer aproximar-se da sociedade, a Igreja colocou-se na vanguarda do progressismo: contribui assim activamente para destruir a civilização europeia

A luta contra o catolicismo é um dos principais objectivos dos progressistas, e isto desde há mais de dois séculos. Ora, a própria Igreja, em vez de adoptar uma atitude de resistência, acompanha pelo contrário esse movimento, desde o Concílio Vaticano II. Está, desse modo, a autodestruir-se, ao mesmo tempo que participa na empresa de aniquilamento da civilização europeia, da qual era até aqui um dos pilares.

Ao suavizar os seus ritos para se aproximar dos fiéis, a Igreja banalizou-se e arruinou a sua capacidade de atracção

Desde o Vaticano II, a Igreja entendeu que devia abolir a distância que até então mantinha em relação aos fiéis. Nessa perspectiva, modificou profundamente os seus ritos com o objectivo de os tornar mais acessíveis aos praticantes. O latim foi abandonado e substituído pela língua corrente de cada país. Em vez de estar voltado, como os fiéis, para o Oriente, lugar do nascimento, do martírio e da ressurreição de Cristo, o oficiante aproximou-se dos fiéis e passou a celebrar de frente para eles, como um animador de espectáculo ou um orador de comício. As vestes eclesiásticas foram simplificadas. Muitos padres, após o Vaticano II, passaram a vestir-se à civil fora da igreja, frequentemente sem ostentar qualquer sinal distintivo. Do mesmo modo, as igrejas contemporâneas são decoradas de forma particularmente sóbria, à imagem dos templos protestantes. Por todos estes sinais, a Igreja pretendeu reduzir ou mesmo suprimir toda a distância em relação aos fiéis. Esta evolução constitui um grave erro.

O relativo afastamento que a Igreja mantinha até então em relação aos fiéis (e em relação à sociedade, ponto que abordaremos na parte seguinte) tinha, com efeito, a sua justificação no plano simbólico e constituía um sinal: exprimia a tripla distância que marca a condição humana. Distância entre os vivos e os mortos. Entre o mundo terreno e o além. Entre a criatura e o seu Deus.

A vontade de abolir toda a distância é um erro, em segundo lugar, porque introduz na Igreja uma forma de banalidade e de trivialidade que não correspondem, em nosso entender, ao que os crentes — ou aqueles que poderiam vir a sê-lo — procuram realmente. Quem atravessa o limiar de uma igreja não deseja geralmente reencontrar ali a sociedade exterior. Procurará antes dimensões ausentes no quotidiano: o sagrado, o mistério, a fidelidade às práticas ancestrais, a evocação da ligação ao passado, a encarnação do vínculo com o além.

A vontade de abolir a distância em relação aos fiéis é um erro, em terceiro lugar, porque a Igreja não foi instituída para reflectir a sociedade do tempo presente, mas para representar e prosseguir uma obra milenar.

Ao querer abolir a distância, a Igreja banalizou-se. Ao romper com os ritos e práticas que a ligavam à cadeia do tempo, deixou de propor, como o fez durante séculos, um universo próprio, distinto da sociedade exterior. Está aí, sem dúvida, uma das explicações para o fenómeno de descristianização maciça que marca a Europa desde os anos sessenta.

Assinale-se que os progressistas, infelizmente numerosos no seio da Igreja, querem naturalmente acentuar estas evoluções: desejam permitir o casamento dos padres, ordenar mulheres, introduzir a democracia no governo da Igreja e até “dessacralizar a função papal”. Se a Igreja prosseguir por esse caminho, agravará a marcha rumo àquilo que cada vez mais a caracteriza: a insignificância.

Ao querer aproximar-se da sociedade, a Igreja colocou-se na vanguarda do progressismo: contribui assim activamente para destruir a civilização europeia

A Igreja não quis apenas reduzir a distância em relação aos fiéis: fixou-se mais geralmente o objectivo de se “modernizar” para se aproximar da sociedade e das suas evoluções, por exemplo acolhendo melhor os divorciados ou os homossexuais. Permaneceu, contudo, firme até ao presente na oposição às evoluções societais relativas à vida e à família. É, aliás, alvo de uma pressão constante sobre estes temas, e o seu “conservadorismo” é denunciado incessantemente pelos progressistas.

Se continua a marcar a sua oposição às reformas que afectam as práticas tradicionais e os quadros antropológicos (casamento homossexual, procriação medicamente assistida, suicídio assistido…), a Igreja escolheu, em contrapartida, colocar-se na linha da frente do progressismo no que respeita à atenção aos “pobres” e aos “excluídos”. Esta posição conduziu-a a adoptar, desde os anos 1980, o discurso progressista sobre a imigração. Desde então promove um acolhimento amplo e generoso dos imigrantes, que, segundo ela, “fogem da miséria e da guerra”. Tal como os progressistas, sustenta além disso o direito de cada um conservar a sua diferença, aceitando desse modo o enraizamento do islão na Europa. O Papa Francisco incarnou esta Igreja progressista, apresentando-se como o papa dos migrantes e de todos os “excluídos”.

Esta atitude resulta, em nosso entender, de uma leitura profundamente errónea do Evangelho. Tomando o Evangelho à letra, a Igreja julga dever dar prioridade aos pobres, denunciar os ricos, acolher os migrantes, preconizar a não-violência e o pacifismo… Ora, como expusemos em várias crónicas, o Evangelho é uma mensagem dirigida aos crentes para a condução da sua vida pessoal: não constitui de modo algum um programa político nem um modelo de sociedade. Se uma sociedade escolhe absurdamente governar-se tomando como regras os preceitos evangélicos, opta por isso mesmo pelo suicídio e pela autodestruição. O próprio Cristo o indicou: “dai a César o que é de César… o meu reino não é deste mundo”. Ao tomar o Evangelho à letra, a Igreja perde-se e arrasta consigo a civilização europeia de que era o pilar.

Desde o Vaticano II, a Igreja acarinha os seus inimigos e escolhe denunciar os seus próprios fiéis

A Igreja pós-Vaticano II completa o seu erro passando o tempo a oferecer a outra face, a amar os seus inimigos e a agredir os poucos crentes que ainda persistem em entrar nas paróquias.

Importa antes de mais assinalar que, ao colocar-se nas primeiras linhas do campo imigracionista, ao celebrar os “excluídos” e ao vilipendiar os “ricos”, a Igreja não consegue de forma alguma desarmar os progressistas, humanistas e ateus, que prosseguem com redobrado vigor os seus combates anticlericais. Tal como o RN[1] não desarmou a oposição do Sistema ao procurar “desdiabolizar-se”, também a Igreja não conseguiu alterar as linhas de força e continua a ser o inimigo principal dos progressistas.

E, contudo, a Igreja persiste em oferecer a outra face. Cala-se perante os ataques anticatólicos. Guarda silêncio perante as provocações e as troças. Oculta os actos de vandalismo contra as igrejas, muito mais numerosos e graves do que os dirigidos contra sinagogas e mesquitas. Chega mesmo a permitir a organização, nas igrejas, de eventos culturais perfeitamente ateus, ou até insidiosamente anticatólicos.

Do mesmo modo, a Igreja entende dever amar os seus piores inimigos. Passa o tempo a defender o ecumenismo e o diálogo inter-religioso. Exibe-se complacentemente ao lado de responsáveis protestantes e muçulmanos. Mantém um diálogo constante com os representantes do islão nos departamentos onde este é já dominante. Isto quando os protestantes, parte integrante e activa do campo progressista, odeiam o catolicismo e combatem-no desde a sua origem; e quando o islão, reforçado diariamente pelo número dos seus fiéis, se encontra claramente implantado na Europa numa lógica de conquista.

Não só a Igreja manifesta benevolência para com os seus inimigos, como passa ainda o tempo a denunciar os poucos que continuam a frequentá-la. Todos os domingos, em cada sermão, os praticantes são acusados de egoísmo, de insuficiente atenção aos pobres, de insuficiente acolhimento dos imigrantes. É estranho que ainda existam fiéis dispostos a aceitar ser assim denunciados, acusados, culpabilizados e insultados, uma vez por semana. Talvez o espírito de martírio dos cristãos desde as origens da Igreja tenha algo que ver com isso. A Igreja escolhe celebrar aqueles — os excluídos — que nada trazem de verdadeiramente positivo às nossas sociedades europeias, e aqueles — os imigrantes — que querem destruí-las e substituí-las. São as partes sãs do corpo social, as que se comportam correctamente, trabalham e fundam famílias, que são denunciadas todos os domingos pelo padre conciliar. Que melhor maneira de matar o que ainda resta de católico na nossa sociedade moderna, individualista e ateia?

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Poder-se-ia sonhar que a eleição do novo papa marcasse uma viragem contra a deriva iniciada pelo Vaticano II. Mas não: o papa agora eleito situar-se-á provavelmente na linha do seu predecessor. Bergoglio, o papa comunista, soubera naturalmente colocar os seus homens e os seus fiéis.

A Igreja enfrenta, de resto, os mesmos desafios que o mundo ocidental no seu conjunto (ao qual pertence em primeiro lugar, sendo marginal a sua presença nas regiões não ocidentais). Confrontam-se no interior da Igreja, tal como em todas as sociedades ocidentais, dois campos e duas linhas inconciliáveis: o campo dos progressistas, adeptos do humanismo, do sem-fronteirismo e da igualdade universal; e o dos partidários da tradição, dos quadros, costumes e hierarquias tradicionais, das raízes e da identidade. Entre estes dois campos, o ventre-mole, pretensamente centrista e moderado, partilha na realidade o essencial das convicções progressistas, ou pelo menos inclina-se cobardemente perante elas há décadas.

Em vez de se apresentar como parangona do progressismo, a Igreja faria melhor em denunciar as agressões dos seus inimigos — humanistas, progressistas, laicos, republicanos e ateus. Faria melhor em alertar para as consequências da islamização galopante da Europa e da substituição populacional. Faria melhor em mostrar os méritos e o valor da sociedade tradicional, cuja destruição os progressistas querem consumar (o papel central e estruturante da família; a necessidade das hierarquias, do princípio de autoridade e dos quadros sociais estruturantes; o valor da transmissão e do enraizamento; a necessidade de uma homogeneidade de costumes, crenças e comportamentos…). Faria melhor em oferecer aos seus fiéis reconforto e esperança, em vez de os afundar na culpabilidade. Faria melhor em dirigir-se aos ateus para lhes mostrar o vazio e o absurdo de uma vida sem Deus.

[1] Rassemblement National, até 1º de junho de 2018 denominado Front National, é um partido político francês de direita, conservador e nacionalista. (N.T.)