“Onde o perigo cresce, cresce também o que salva”.
Hölderlin
Muito recentemente vimos a opinião publicada nacional recorrer a palavras como Influxo, Imigração negativa, Repatriamento, Regresso e Retorno para falarem de algo que se afigura como inevitável: quem está no território nacional e cometeu crimes, está ilegal, não trabalha e não se integra, terá de remigrar. Estamos perante um grande desafio que tem abordagens multidisciplinares e que não pode perder o espírito humanista que caracteriza a nossa sociedade.
Se ainda ontem, a remigração pertencia ao léxico clandestino, à imprensa samizdat militante, ao indizível, agora, é debatida nos parlamentos, adoptada por ministros, reivindicada pelos partidos de massas, de Lisboa a Estocolmo, de Viena a Londres. Como se a Europa começasse a repensar aquilo que se proibiu até de nomear.
O dossier publicado pela revista francesa Éléments – e ampliado na sua versão digital – que vamos publicar no Dextra Vox, levanta uma questão simples, mas terrível: poderá uma civilização sobreviver se renunciar à sua continuidade histórica? Por detrás das disputas jurídicas, económicas e até filosóficas, está em causa algo mais: o direito dos povos europeus a permanecerem eles próprios.
A remigração marca, assim, o regresso da tragédia à política europeia. Ela diz-nos que a história não acabou, que o que foi politicamente organizado pode ser politicamente revertido.
