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in memoriam: Daniel Roxo (1. Fevereiro. 1933 – 23. Agosto. 1976)

Francisco Daniel “Danny” Roxo nasceu em Mogadouro, Trás-os-Montes, a 1 de Fevereiro de 1933. Ainda jovem, partiu para a província do Niassa em 1951, onde se estabeleceu como caçador profissional e guia de safaris. Quando os marxistas independentistas iniciaram a guerra em Moçambique, em 1964, Roxo formou uma milícia privada no Niassa, com os africanos e europeus, que combatia os terroristas da Frelimo.

Desiludido com a promessa de Portugal de entregar Moçambique ao governo de Samora Machel, Roxo apoiou uma tentativa de golpe de Estado por parte das forças anti-Frelimo em Lourenço Marques, a 7 de Setembro de 1974. Exilou-se na África do Sul em Novembro do mesmo ano, ingressando nas Forças de Defesa Sul-Africanas. Após ter concluído a seleção para as Forças Especiais, Danny foi destacado para o Grupo Bravo (posteriormente 32º Batalhão “Búfalo”).

Carreira militar sul-africana

Roxo foi condecorado com a Honoris Crux por bravura durante a Operação Savannah, pela sua atuação na Batalha da Ponte 14, confronto no qual matou sozinho onze soldados inimigos. A Ponte 14 situava-se no rio Nhia, no caminho entre Cela e Quibala. Os contingentes mecanizados sul-africanos, deslocados para sul, tinham derrotado uma unidade das Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA) algum tempo antes, e os angolanos em retirada tinham demolido a estrutura existente. Contudo, como o Coronel Jan Breytenbach não conseguia confirmar isso a partir das suas posições avançadas, ordenou a Roxo que realizasse um reconhecimento mais minucioso. Roxo chegou ao rio com quatro carros blindados Eland-90; a sua patrulha foi alvo de intenso fogo de morteiro vindo da margem oposta e dois dos veículos recuaram, obrigando o pelotão de Roxo a retirar a pé. Tendo explorado ele próprio a ponte e constatado que já não estava intacta, caiu inadvertidamente numa emboscada da FAPLA, mas conseguiu eliminar os seus atacantes. Dois prisioneiros sul-africanos que escaparam afirmaram posteriormente que, para além das baixas angolanas, quatro soldados cubanos foram mortos no confronto.

Morte

Durante uma patrulha perto do rio Okavango, o seu veículo blindado embateu numa mina terrestre e capotou, matando um homem e esmagando Roxo sob os escombros. O resto da tripulação tentou retirá-lo, mas era demasiado pesado.

Breytenbach escreveu: “Roxo, fiel ao seu carácter destemido, decidiu tirar o melhor partido da situação, acendendo um cigarro e fumando-o calmamente até ao fim, quando morreu – ainda preso sob o Wolf. Não se queixou uma única vez, nem soltou um gemido ou lamento, embora a dor fosse certamente excruciante.”

Faz hoje 50 anos que Daniel Roxo morreu e está sepultado em Pretória. Portugal e Mogadouro ainda não lhe prestaram a devida homenagem.